A ministra da Transição Ecológica, Monique Barbut, anunciou que será declarado um estado de emergência assim que a situação estabilize, medida que permitirá acelerar os processos de indemnização por parte das seguradoras. “Há muito que os especialistas alertam para a maior frequência destes fenómenos. O que diziam que estava para vir já chegou”, afirmou à estação LCI, após visitar as zonas afetadas da Gironde.
A diretora do serviço francês de monitorização de cheias Vigicrues, Lucie Chadourne-Facon, explicou que a sucessão de perturbações foi “excecional” e deixou os solos saturados a níveis recorde. Nessas condições, acrescentou, bastam 20 a 30 milímetros de chuva para desencadear novas inundações. “Os afluentes reagem em cadeia e alimentam os grandes rios, enquanto a chuva continua a reativar as cheias”, disse à BFMTV.
A Vigicrues indicou que decorrem “inundações com danos” no rio Garonne a jusante de Agen, com impacto significativo nas zonas de Marmande e da Gironde. Embora os níveis tenham recuado lentamente após os picos do fim de semana, voltaram a subir no baixo Garonne. As autoridades esperam cheias importantes no rio Maine, incluindo na cidade de Angers, e durante a noite no rio Loire, na área de Ponts-de-Cé, com níveis a continuarem a aumentar ao longo de quarta-feira.
As cheias em França surgem após uma série de tempestades que atingiram Portugal e Espanha, causando pelo menos 16 mortos e forçando milhares de pessoas a abandonar as suas casas, num contexto de instabilidade meteorológica persistente no sudoeste da Europa.