O poder judiciário da Região Administrativa Especial de Hong Kong anunciou que vai proferir na segunda-feira de manhã, a sentença de Jimmy Lai Chee-ying, fundador do extinto jornal Apple Daily, condenado em dezembro por crimes ao abrigo da lei de segurança nacional.
O processo foi iniciado após a sua detenção em 2020, em Hong Kong, por alegado conluio com forças estrangeiras e publicação de artigos considerados sediciosos.
Jimmy Lai, de 78 anos, um conhecido crítico do Partido Comunista Chinês, poderá enfrentar uma pena que vai até à prisão perpétua, possibilidade que tem motivado críticas de vários governos estrangeiros. O julgamento de Jimmy Lai tem provocado reações internacionais, nomeadamente dos Estados Unidos e do Reino Unido.
Após a condenação em dezembro no ano passado, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ter pedido ao Presidente chinês, Xi Jinping, que ponderasse a libertação de Lai, dizendo sentir-se “muito mal” com a decisão judicial. Londres também exigiu a libertação imediata do empresário, com a chefe da diplomacia britânica, Yvette Cooper, a classificar o processo como uma “perseguição por motivos políticos”.
Leia também: Jornal Apple Daily diz que liberdade de imprensa em Hong Kong ‘está por um fio’
Jimmy Lai foi considerado culpado de conluio com entidades estrangeiras e de incitamento a sanções e outras ações hostis contra Hong Kong ou a China através de publicações no Apple Daily. No mesmo processo foram igualmente julgados seis antigos jornalistas do jornal e dois ativistas.
Todos os arguidos deverão comparecer em tribunal na segunda-feira para ouvir a sentença. Enquanto os ex-jornalistas e os ativistas admitiram a culpa – o que poderá resultar em penas mais leves – Jimmy Lai declarou-se inocente de todas as acusações.
O empresário já se encontra a cumprir uma pena de quase seis anos de prisão por outros crimes, relacionados com fraude e com a sua participação nos protestos de 2019.