As cheias que afetam Alcácer do Sal, no distrito de Setúbal, são “talvez as mais graves do país”, afirmou o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no dia 5, numa visita realizada para avaliar no terreno a situação. O rio Sado transbordou e inundou o centro da cidade desde a semana passada, devido ao mau tempo associado às depressões Kristin e Leonardo.
À chegada à localidade alentejana, o Chefe de Estado sublinhou que “não há sinais de melhoria” num cenário que classificou como um verdadeiro “teste de resiliência” para a população, sobretudo para quem teve de abandonar as suas casas, para os pequenos comerciantes afetados e para os residentes isolados.
Acompanhado pela Presidente da Câmara Municipal de Alcácer do Sal, Clarisse Campos, e por responsáveis locais e regionais, Marcelo Rebelo de Sousa observou a extensão das cheias a partir da zona do Castelo, junto à Pousada, descrevendo a paisagem como “chocante”, com o rio a assemelhar-se a um mar e vários acessos e infraestruturas submersos.

Presidente da Repúplica, Marcelo Rebelo de Sousa, fala com os jornalistas durante a visita às zonas inundadas de Alcácer do Sal, no Sul de Portugal (Fotografia de PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP)
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Segundo o Presidente, a acumulação de dias e noites consecutivas com a cidade inundada agrava o desgaste físico e emocional da população, afetando, em particular, os mais idosos. Disse ainda ter recebido do Governo indicações de que a previsão aponta para uma estabilização do tempo, embora com vento forte, sublinhando a necessidade de confirmar essa evolução nos próximos dias.
Clarisse Campos explicou que a autarquia tem prestado apoio social às populações isoladas, incluindo a garantia de refeições a idosos em regime de apoio domiciliário, mas reconheceu o impacto humano da situação, descrevendo como “muito doloroso” ver casas, negócios e bens destruídos.
A autarca revelou que, desde o início das cheias, na quarta-feira da semana passada, já foram evacuadas 143 pessoas, após o transbordo do rio Sado ter inundado zonas como a Avenida dos Aviadores. Acrescentou ainda que a descarga contínua das barragens a montante impede a distinção entre maré cheia e maré vazia, mantendo o nível da água elevado e estável.