Pelo menos quatro concertos com ligação a artistas japoneses foram cancelados em Macau nos últimos dois meses, entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, em diferentes salas da cidade, devido a “circunstâncias imprevistas” ou “força maior”, segundo comunicados de promotores e agências, num processo que envolveu negociações entre artistas, editoras e organizadores locais.
O caso mais mediático foi o de Ayumi Hamasaki, que deveria encerrar a sua digressão asiática de 2025 a 10 de janeiro de 2026, na Venetian Arena. A cantora anunciou o cancelamento a 9 de dezembro, referindo que, após longas discussões entre a sua editora Avex e os organizadores, foi informada de que o concerto não poderia avançar conforme planeado. O cancelamento ocorreu depois de já ter sido anulada uma data em Xangai.
No dia seguinte, a banda sul-coreana Hi-Fi Un!corn, que integra o vocalista japonês Shuto Fukushima, cancelou o concerto agendado para 21 de dezembro de 2025 no Galaxy Macau. A agência FNC Entertainment e a promotora CQ Entertainment invocaram “circunstâncias imprevistas” e “factores de força maior”, garantindo o reembolso automático dos bilhetes.
Situação semelhante afetou a estreia de Mika Nakashima em Macau, prevista para 14 de março de 2026, no Londoner Arena, como arranque da sua digressão asiática. Num comunicado publicado a 30 de dezembro, a cantora indicou que o espetáculo foi cancelado por “motivos inevitáveis”, estando a ser ponderado um reagendamento.
Em janeiro, o grupo nipónico-coreano Nexz também anunciou o cancelamento dos concertos marcados para os dias 17 e 18 em Macau. A agência JYP Entertainment explicou que uma “mudança súbita de circunstâncias” inviabilizou a realização dos espetáculos, apesar dos preparativos até ao último momento.
Embora nenhum dos organizadores tenha associado oficialmente os cancelamentos a motivos políticos, a sucessão de decisões coincidiu com um período de maior sensibilidade regional e com relatos de cancelamentos cruzados entre a China continental, as regiões administrativas especiais e o Japão, alimentando especulação pública.
O Governo não conhece as razões concretas para os cancelamentos, mas está a acompanhar a situação, sublinhando que Macau continua a atrair grandes nomes internacionais, afirmou a diretora da Direcção dos Serviços de Turismo, Maria Helena de Senna Fernandes, numa conferência de imprensa para a Parada de Celebração do Ano de Cavalo.
Ao Macau Daily Times, o fundador da Chessman Macau, Lawrence Che, considerou que o impacto no setor é limitado, dado o número historicamente reduzido de concertos de artistas japoneses no território. Apontou ainda razões multifatoriais para este tipo de cancelamentos, incluindo questões de segurança, gestão de multidões e decisões comerciais.
Apesar dos recuos registados, vários espetáculos com artistas japoneses ou com membros japoneses mantêm-se agendados para os próximos meses em Macau, sem que, até ao momento, tenham sido anunciadas novas anulações.