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Estados Unidos e Rússia acordam retomar diálogo militar de alto nível

Diálogo militar será reaberto para reforçar a estabilidade estratégica, numa altura marcada pelo fim do último tratado de controlo nuclear. A decisão foi tomada no contexto das negociações de paz sobre a Ucrânia.

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Os Estados Unidos e a Rússia acordaram, no dia 5, em Abu Dhabi, retomar o diálogo entre militares de alto nível, durante as negociações de paz sobre a Ucrânia. O objetivo passa por aumentar a transparência, reduzir riscos de escalada e contribuir para uma estabilidade estratégica num contexto de guerra em curso e do termo do tratado New Start (START III).

A decisão foi confirmada pelo Comando Europeu das Forças Armadas dos Estados Unidos (EUCOM) a 5 de fevereiro, dia em que expirou o START III – o último acordo de controlo de armamento nuclear entre Washington e Moscovo. “Manter o diálogo entre as forças armadas é um fator importante de estabilidade e de paz”, disse o EUCOM, promovendo a desescalada e transparência num ambiente internacional volátil.

O acordo foi alcançado após reuniões entre o general Alexus Grynkewich, comandante do EUCOM e Comandante Supremo Aliado da NATO na Europa, e altos responsáveis militares da Rússia e da Ucrânia. O novo canal permitirá um contacto “militar-militar consistente”, enquanto prosseguem os esforços para alcançar uma paz duradoura, destacou o Comando Europeu num comunicado.

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A comunicação militar de alto nível entre os dois países estava suspensa desde 2021, pouco antes da invasão em grande escala da Rússia na Ucrânia, em fevereiro de 2022. A retoma ocorre numa fase de intensificação dos combates, com ataques russos à rede elétrica ucraniana e relatos recentes de vítimas civis no leste do país.

O tratado START III, que vigorava desde fevereiro de 2011, limitava o número de ogivas nucleares estratégicas, mísseis balísticos e sistemas de lançamento de cada uma das duas potências. A sua expiração deixa o mundo sem um regime formal de controlo de armas nucleares pela primeira vez desde 1972.

Os Estados Unidos defendem que um novo acordo deverá incluir também a China, posição que tem dificultado negociações. Moscovo afirmou estar disponível para discutir a estabilidade estratégica, mas advertiu que a negociação de um novo tratado será um processo longo e complexo. Organizações antinucleares alertam, entretanto, para o risco de uma nova corrida ao armamento sem mecanismos eficazes de controlo.

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