As conversações entre Estados Unidos e Irão surgem após um reforço significativo da presença militar norte-americana no Médio Oriente, em resposta à repressão violenta das autoridades iranianas sobre protestos antigovernamentais registados no mês passado. Organizações de direitos humanos estimam que milhares de pessoas tenham morrido na sequência dessas ações.
A incerteza quanto ao local e ao âmbito das conversações quase comprometeu o encontro, que integra um esforço diplomático conduzido por mediadores regionais para reduzir as tensões. As posições de Washington e Teerão continuam, contudo, bastante distantes, embora exista a expectativa de que o diálogo possa abrir caminho a um quadro negocial mais alargado.
Os Estados Unidos exigem que o Irão congele o seu programa nuclear e elimine as reservas de urânio enriquecido, defendendo ainda que as negociações incluam o programa de mísseis balísticos, o apoio a grupos armados na região e a situação dos direitos humanos no país. Teerão, por seu lado, insiste que as conversações se limitem à questão nuclear.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, tem ameaçado bombardear o Irão caso não seja alcançado um acordo, tendo ordenado o envio de milhares de militares e meios navais para a região. O Irão respondeu com ameaças de retaliação contra alvos militares norte-americanos e Israel.
A delegação iraniana será liderada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, enquanto os Estados Unidos estarão representados pelo enviado especial Steve Witkoff e por Jared Kushner, genro de Donald Trump. Será o primeiro contacto direto entre responsáveis dos dois países desde a guerra entre Israel e o Irão, em junho do ano passado, quando os EUA bombardearam instalações nucleares iranianas.