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Investimento da China na “Nova Rota da Seda” atinge recorde

A Iniciativa "Uma Faixa, Uma Rota", também conhecida como a "Nova Rota da Seda", promovida pela China, atingiu um recorde de 213,5 mil milhões de dólares (183 mil milhões de euros) em investimentos e contratos em 2025, reforçando a sua influência global

Lusa

De acordo com um estudo conduzido pela Universidade Griffith (Austrália) e pelo Centro de Finanças Verdes e Desenvolvimento de Xangai, o valor representa um aumento de 75% face aos 122,6 mil milhões de dólares (105 mil milhões de euros) registados em 2024, com 350 novos acordos assinados ao abrigo da iniciativa, face aos 293 do ano anterior.

Este crescimento ocorre num contexto de tensões geopolíticas crescentes entre os Estados Unidos e a China, incluindo disputas comerciais, tecnológicas e intervenções militares norte-americanas, que têm abalado os mercados energéticos globais.

De acordo com Christoph Nedopil Wang, especialista em energia e finanças chinesas na Universidade Griffith e autor do estudo, espera-se que o investimento da China na Iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” continue a crescer em 2026, especialmente nos setores da energia, mineração e novas tecnologias.

“A volatilidade do comércio e do investimento globais poderá impulsionar mais investimentos chineses destinados à resiliência das cadeias de abastecimento e à conquista de novos mercados de exportação”, sublinhou o investigador, citado pelo Financial Times (FT).

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Lançada em 2013 pelo Presidente chinês, Xi Jinping, poucos meses após chegar ao poder, a iniciativa é a pedra angular da política externa chinesa e visa aprofundar a influência económica de Pequim junto dos países em desenvolvimento. Atualmente, 150 países são parceiros da iniciativa, que transformou a China no maior credor bilateral do mundo.

O relatório revela que, desde o seu lançamento, os investimentos e contratos acumulados ao abrigo da iniciativa ultrapassaram 1,4 bilião de dólares (1,2 bilião de euros).

Entre os principais projetos de 2025 destacam-se megaprojetos multibilionários, como um complexo de gás na República do Congo liderado pela Southernpec, o Parque Industrial da Revolução do Gás Ogidigben na Nigéria, a cargo da China National Chemical Engineering, e uma fábrica petroquímica em Kalimantan do Norte, Indonésia, desenvolvida por um consórcio das empresas chinesas Tongkun Group e Xinfengming Group.

“Nunca tínhamos visto este tipo de megaprojetos antes”, afirmou Nedopil Wang, igualmente citado pelo FT. “Há uma confiança crescente, por parte de países em desenvolvimento, na capacidade das empresas chinesas para liderarem grandes empreendimentos”, observou.

O setor energético foi o que registou maior volume de contratos, com 93,9 mil milhões de dólares (80,8 mil milhões de euros), o valor mais elevado desde o lançamento da iniciativa, incluindo 18 mil milhões de dólares (15,4 mil milhões de euros) em projetos de energia eólica, solar e de conversão de resíduos em energia.

A área das minas e metais também bateu recordes, atingindo 32,6 mil milhões de dólares (28 mil milhões de euros), com destaque para o aumento do investimento no refinamento de minerais fora da China, garantindo acesso prolongado a recursos estratégicos, como o cobre, cuja procura disparou devido à expansão dos centros de dados e da inteligência artificial.

Especialistas citados pelo estudo alertam, contudo, para os riscos da crescente dependência dos países parceiros em relação ao crédito chinês. Um relatório do Serviço de Pesquisa do Congresso dos Estados Unidos (CRS), publicado em 2024, alertava para problemas como níveis insustentáveis de dívida, falta de transparência nas condições de crédito e investimento em setores estratégicos com possível uso militar.

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