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Primeira-ministra do Japão convoca eleições

Sanae Takaichi anunciou que vai dissolver a câmara baixa do Parlamento na próxima sexta-feira e convocar eleições legislativas antecipadas

Lusa

Takaichi disse que as eleições se realizarão em 08 de fevereiro, como tinham admitido fontes partidárias citadas pela agência de notícias japonesa Kyodo, com a campanha oficial a começar em 27 de janeiro.

“Hoje [ontem], como primeira-ministra, decidi dissolver a câmara baixa em 23 de janeiro”, declarou a líder conservadora de 64 anos durante uma conferência de imprensa em Tóquio.

“Será Takaichi apta para o cargo de primeira-ministra? Quis deixar a decisão ao povo soberano”, acrescentou, citada pela agência de notícias France-Presse (AFP).

O objetivo é tentar obter um mandato reforçado para o programa político do executivo que chefia desde outubro de 2025.

Leia também: Japão. Takaichi testa apoio popular e vai antecipar eleições para 8 de fevereiro

Primeira mulher a chefiar o governo no arquipélago, a líder conservadora tira partido das sondagens favoráveis para impulsionar os resultados do Partido Liberal Democrata (conhecido pela sigla em inglês LDP).

Takaichi chefia uma coligação governamental com uma maioria tangencial na câmara baixa e que está em minoria na Câmara de Conselheiros, o que obriga a negociações com a oposição para aprovar leis.

O LDP governa o Japão quase sem interrupção há décadas, mas viu a popularidade afetada por escândalos de financiamento e pela incapacidade de travar a inflação galopante.

Takaichi assumiu o cargo em outubro, após o partido ter perdido a maioria nas duas câmaras do Parlamento sob a liderança do antecessor, Shigeru Ishiba.

Takaichi tem demonstrado uma presença ativa na cena internacional, tendo recebido em Tóquio o Presidente norte-americano, Donald Trump.

Apesar da imagem desgastada do partido, o governo de Takaichi regista atualmente uma popularidade entre os 60% e os 70%, segundo a AFP.

Embora o LDP e o novo parceiro de coligação, o Partido da Inovação, tenham recuperado por pouco a maioria na câmara baixa em novembro, a margem estreita dificulta a aprovação do programa de Takaichi.

O plano inclui gastos proativos para relançar a economia e um aumento no orçamento da defesa.

A oposição criticou a dissolução do Parlamento, afirmando que a decisão atrasa a aprovação de medidas urgentes para as famílias.

Para atenuar o impacto da subida de preços, o LDP pondera fazer campanha com a promessa de baixar os impostos sobre os produtos alimentares.

As eleições ocorrem num momento de braço de ferro entre o Japão e a China.

Takaichi tem demonstrado uma presença ativa na cena internacional, tendo recebido em Tóquio o Presidente norte-americano, Donald Trump.

As relações com Pequim deterioraram-se após Takaichi ter sugerido que Tóquio poderia intervir militarmente caso a China atacasse Taiwan.

Analistas preveem que Pequim possa intensificar a pressão comercial, nomeadamente através da restrição de exportações de terras raras, componentes críticos para a indústria tecnológica japonesa.

No campo da oposição, o partido budista Komeito e o Partido Democrático Constitucional do Japão decidiram unir forças, esperando atrair os eleitores indecisos perante a nova consulta popular.

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