Falta pouco para conhecermos o Terceiro Plano Quinquenal de Macau (2026-2030). Olhando para o horizonte, onde se projeta a diversificação económica em 2035, o espaço para diagnósticos e arquitetura conceptual está praticamente esgotado; testa-se agora a capacidade de execução.
O Segundo Plano Quinquenal (2021–2025) foi moldado por circunstâncias excecionais. A pandemia impôs uma agenda de contenção, centrada na estabilidade social, na preservação do emprego e na solidez das finanças públicas. Em paralelo, foram lançadas bases institucionais para uma transformação gradual da economia, com o modelo “1+4” a assumir-se como referência. O contexto atual é distinto; ainda assim a economia local não aprendeu a viver no mercado pós-pandemia.
A diversificação económica pressupõe um Estado capaz de se adaptar, não apenas de regular ou, pior, de cair no erro de o tentar moldar
Neste enquadramento, o Terceiro Plano não será avaliado pela ambição das intenções, mas pela qualidade da concretização. Diversificar não é acumular setores identificados em documentos estratégicos; é gerar valor económico efetivo, emprego qualificado e uma base produtiva mais plural. Sendo o penúltimo ciclo antes de 2035, qualquer adiamento terá custos acumulados difíceis de corrigir no último plano.
A integração regional, em particular com Hengqin, constitui o maior teste à credibilidade desta transição. Apesar da centralidade estratégica que lhe é atribuída, persistem obstáculos estruturais que tornam muitos dos objetivos enunciados difíceis de materializar num horizonte previsível. A distância entre ambição institucional e resultados concretos mantém-se significativa. O Terceiro Plano terá de reduzir esse hiato, substituindo expectativas prolongadas por metas operacionais claras e verificáveis.
A reforma administrativa em curso é inseparável deste desafio. Mais do que eficiência procedimental, exige-se flexibilidade institucional. Uma Administração excessivamente dependente de quadros rígidos limita a capacidade de construir parcerias público-privadas ajustadas à dinâmica real dos mercados. A diversificação económica pressupõe um Estado capaz de se adaptar, não apenas de regular ou, pior, de cair no erro de o tentar moldar.
Impõe-se também uma reavaliação consciente e sincera do papel das concessionárias. Continuarão a ser atores centrais, mas a diversificação não pode permanecer excessivamente dependente das mesmas. Diversificar é igualmente diversificar os produtores, alargando a base empresarial e reduzindo dependências estruturais.
É importante que se perceba que é este ciclo que vai definir o alcance do seguinte. Se falhar na concretização, o último plano será um exercício de correção tardia.
*Diretor Executivo do Plataforma