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Pensar antes de disparar

Filipe Regêncio Figueiredo

Cumpre-me, em primeiro lugar, agradecer ao Jornal Plataforma o convite que me foi dirigido, pedindo toda a indulgência aos leitores relativamente ao que aqui escreverei, que apenas a mim me vincula.

Neste primeiro texto, não vou falar de guerras, intrigas políticas, segurança nacional, inteligência artificial, diversificação da economia ou de um qualquer outro tema com que somos diariamente confrontados. Para início de conversa diria apenas que vivemos num mundo estranho.

Por um lado, todas as notícias merecem, de imediato, milhares de comentários, parecendo que todos estamos ansiosos para participar e dar opinião em tudo o que nos diga (ou não) respeito; por outro, esta participação desaparece quase por completo quando somos efetivamente chamados a ter um papel ativo, o que é demonstrado pelas elevadas taxas de abstenção em atos eleitorais, pela falta de empenho no trabalho associativo ou, simplesmente, pela quase ausência de perguntas ou discussão em espaços de discussão pública, como sejam conferências e colóquios.

Apesar de não ter competências para analisar as razões subjacentes a este estado de coisas, partilho convosco a minha reflexão (de leigo). Fruto da rapidez com que tudo hoje em dia acontece, temos a sensação de que somos obrigados a reagir de forma igualmente rápida e imediata, não dando tempo ao tempo e à reflexão. A que acresce o facto de, como muitas das reações são tomadas em espaços apenas virtualmente públicos, não ser feito o exercício de nos perguntarmos se o mesmo seria dito/escrito se estivéssemos frente a frente com amigos ou familiares. Sem a reflexão e sem a consideração pelo outro, chega-se facilmente ao maniqueísmo.

Como disse László Krasznahorkai, Prémio Nobel da Literatura em 2025, no seu magnífico discurso de aceitação, cuja leitura recomendo, “o Bem jamais alcançará o Mal, porque entre o Bem e o Mal não há esperança”.

Neste início do ano, proponho que ponhamos em prática o aviso das passagens de nível ferroviárias “Pare, escute e olhe”, antes de avançar.

Votos de um ano de 2026 cheio de esperança, sucessos e saúde para todos!

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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