Segundo dados oficiais, as importações aumentaram apenas 1.9% no mesmo período, resultando num excedente de 112 mil milhões de dólares no mês. A previsão média dos economistas inquiridos pela agência Bloomberg apontava para um aumento de 4% nas exportações.
Os dados surgem num contexto marcado por prolongado declínio dos preços no setor imobiliário e pelo aumento da insegurança laboral, que continua a limitar o consumo interno. Ainda assim, o aumento das importações supera a taxa de 1% registada em outubro.
O marco histórico do ‘superavit’ comercial surge também após uma recente atenuação das tensões comerciais com os Estados Unidos, e poderá intensificar os apelos de vários parceiros comerciais para uma maior correção dos desequilíbrios externos da China, nomeadamente a entrada massiva de bens a preços reduzidos, que tem pressionado indústrias locais noutros países.
Entre os pontos do acordo com Washington, os dois países comprometeram-se a reduzir tarifas aplicadas mutuamente, aliviar os controlos à exportação de minerais críticos e tecnologia avançada, e cooperar no combate ao tráfico de fentanil. Pequim comprometeu-se também a aumentar as compras de soja norte-americana.
Ainda assim, segundo o grupo de reflexão Peterson Institute for International Economics, os EUA mantêm tarifas médias de 47.5% sobre bens chineses, enquanto a China aplica tarifas de cerca de 32% sobre produtos dos EUA.
Apesar da guerra comercial lançada no início do ano pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, a segunda maior economia do mundo manteve-se resiliente, redirecionando as suas vendas para mercados alternativos aos Estados Unidos.
A procura externa tem sido o motor mais constante do crescimento da China, compensando o fraco consumo interno e a prolongada crise no setor imobiliário.
Este excedente recorde deverá ter impacto positivo na aceleração do Produto Interno Bruto (PIB), após vários meses de abrandamento económico. As vendas a retalho estão a sair do ciclo mais prolongado de desaceleração desde 2021 e o investimento registou uma queda histórica.
Ainda que a economia chinesa esteja a crescer a um ritmo mais lento no último trimestre do ano, o desempenho robusto nos meses anteriores torna alcançável a meta oficial de crescimento “em torno dos 5%” definida por Pequim para 2025.
Segundo o banco de investimento Goldman Sachs, o Governo chinês deverá manter essa meta para 2026, a anunciar formalmente na sessão anual da Assembleia Nacional Popular em março, e poderá adotar novas medidas de estímulo no início do próximo ano, incluindo um aumento do défice orçamental alargado em 1 ponto percentual do PIB e cortes adicionais nas taxas de juro.