O dirigente do Ministério dos Negócios Estrangeiros japonês vai reunir-se com as autoridades chinesas amanhã, acrescentou a Kyodo.
A notícia surgiu numa altura em que as tensões entre Pequim e Tóquio voltaram a agravar-se, após declarações do Executivo japonês.
A 7 de novembro, a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, afirmou que um ataque a Taiwan poderia justificar a intervenção das Forças de Autodefesa do Japão.
Em resposta, a China chamou o embaixador japonês em Pequim alertando-o que o preço a pagar seria “doloroso”.
O Ministério da Defesa da China defendeu ainda que as declarações de Takaichi foram “extremamente perigosas” e uma “grave interferência” nos assuntos internos chineses.
A tensão aumentou no dia seguinte, depois de o cônsul-geral da China em Osaka, Xue Jian, defender num ‘post’ na rede social X, que entretanto apagou, que o melhor seria “cortar essa cabeça suja sem a menor hesitação”, sem especificar a quem se referia exatamente, mas citando um artigo de imprensa que relatava as declarações da governante japonesa.
Entretanto, a China proibiu a navegação em parte do mar Amarelo, entre hoje e quarta-feira, para realizar exercícios militares, anunciou a Administração de Segurança Marítima (MSA, na sigla em inglês).
No aviso da MSA, difundido pela comunicação social, refere-se que vão ser realizados exercícios com munições reais no centro do Mar Amarelo, que fica localizado entre a China e a Península Coreana.
Já o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês emitiu um alerta no qual desaconselha as viagens para o Japão devido à deterioração do ambiente de segurança.
Um aviso replicado pelas autoridades das duas regiões administrativas especiais chinesas de Macau e Hong Kong.
As principais companhias aéreas chineses anunciaram no sábado o reembolso total dos voos com destino ao Japão, após o apelo do Governo.
Esta medida, anunciada pelas companhias Air China, China Southern e China Eastern, aplica-se aos voos agendados até 31 de dezembro.
Os clientes podem optar pelo reembolso total ou pela alteração do destino da viagem.
Apesar de ter reconhecido a República Popular da China como o único Governo legítimo em 1972, o Japão mantém relações não oficiais com Taipé, e já o antigo primeiro-ministro Shinzo Abe (1954-2022) defendeu publicamente que qualquer invasão da ilha justificaria uma resposta militar japonesa, no quadro do acordo de segurança com os Estados Unidos.