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No Cecot, vi o aparato repressivo de Bukele e me senti um pouco algoz

É inevitável não se constranger diante de pessoas que talvez não queiram ser vistas em condições humilhantes

“Antes que eu me esqueça, vamos tentar fazer o mesmo? Tentar entrar e visitar? Se rolar, você topa ir?”

A mensagem do meu editor chegou em 18 de novembro de 2024 acompanhada de um link que mostrava a visita de uma emissora internacional ao Cecot, o Centro de Confinamento do Terrorismo, em El Salvador.

A partir daquele dia, passei a contatar periodicamente o governo de Nayib Bukele para solicitar o tour. Foram 13 tentativas, entre mensagens e ligações a diferentes funcionários do governo, até receber a confirmação mais de um ano depois, em uma noite de dezembro de 2025.

Esperava amigas em um restaurante de São Paulo com a tranquilidade de quem pensava que os grandes acontecimentos do ano haviam acabado. “Daniela, no dia 15 de dezembro entrarei com um grupo de jornalistas no Cecot. Quer vir?”, li no chat com a assessora de imprensa internacional do governo salvadorenho.

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