Depois de ter caído para o 16.º lugar em 2023, Hong Kong ascendeu agora à 4.ª posição no ranking mundial de talentos, divulgado esta semana pelo International Institute for Management Development (IMD).
É a sua melhor classificação desde que o relatório começou a ser publicado, sendo considerada a 1.ª na Ásia, e ficando apenas atrás da Islândia (3.º), Luxemburgo (2.º) e Suíça (1.º). O Interior da China manteve-se no 38.º lugar, enquanto que Macau não figura no ranking, que conta com 69 países e regiões do mundo.
A relevância da conquista foi sublinhada pelo Chefe do Executivo, John Lee, na Cimeira Hong Kong-ASEAN. “É um claro testamento aos esforços deste Governo”, afirmou.
O relatório avalia fatores como “preparação” (3.º), “atratividade” (20.º) e “investimento em desenvolvimento” (12.º). Na educação, Hong Kong surge no 49.º lugar em percentagem do PIB dedicada ao setor (3.87%), mas sobe para 15.º em despesa pública por estudante. O rácio de alunos por professor é de 12,1 no ensino primário e 10,7 no secundário, ocupando a 19.ª posição em ambos. A região lidera ainda em graduados em ciências, ocupa o 3.º lugar mundial na disponibilidade de competências financeiras e o 5.º em eficácia da educação em gestão.
Em termos de formação profissional, Hong Kong sobe cinco pontos, passando para 18.º. Regista-se a mesma subida nas infraestruturas de saúde disponíveis, onde passou para 8.º no ranking. O único parâmetro onde desce é na força laboral composta pelo sexo feminino, em que desceu três lugares, passando a ocupar o 5.º posto.
Vistos dão frutos
A recuperação acontece depois de tumultos sociais e políticos que começaram em 2019 e culminaram na introdução da Lei de Segurança Nacional em 2020. Pelo meio, a pandemia de Covid-19 também contribuiu para um êxodo de talentos significativo. Para reverter a tendência, Hong Kong lançou em 2022 o Top Talent Pass Scheme – um programa de atração de talentos que atribui vistos de dois anos a candidatos com salários anuais superiores a 2,5 milhões de dólares de Hong Kong ou graduados das 100 melhores universidades do mundo.
Em agosto deste ano, o secretário para o Trabalho e Bem-Estar, Sun Yuk-han, anunciou a prorrogação de 54% dos vistos, tendo recebido 9699 pedidos e aprovado 94%.
“Acho que a taxa de pedidos de prorrogação é ideal e satisfatória. Isso significa que um em cada dois talentos que chegaram a Hong Kong há dois anos conseguiu ficar”, afirmou Sun, lembrando que o programa de atração de talentos britânico regista apenas 40% de pedidos de extensão.
Por outro lado, refutou a ideia de que a manutenção destes talentos na cidade se traduzisse na falta de oportunidades para os residentes locais.
Potencial reforçado na ASEAN
A ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático) é atualmente o segundo maior parceiro comercial de Hong Kong, com trocas de 165 mil milhões de dólares americanos em 2024, mais 14% do que no ano anterior. Lee destacou a prioridade de reforçar os laços com os dez países constituintes.
Representantes estrangeiros do bloco também reconheceram o potencial de Hong Kong. O ministro dos Transportes da Malásia, Anthony Loke, salientou: “As soluções de tecnologia financeira de Hong Kong poderiam agilizar o comércio em todos os 10 países da ASEAN. A vossa experiência em finanças verdes poderia financiar a nossa transição para transportes sustentáveis; a vossa inovação logística poderia otimizar as cadeias de abastecimento das fábricas do Vietname às plantações da Indonésia”.
Já Ceferino S. Rodolfo, do Departamento de Comércio e Indústria das Filipinas, antecipou que, quando Manila assumir a presidência da ASEAN em 2026, Hong Kong poderá ser “um catalisador para uma região mais ampla, mais conectada e próspera”.