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Mais apoio para emprego jovem

Leong Sun Iok, Federação das Associações dos Operários de Macau

O desenvolvimento dos jovens é uma prioridade fundamental para o atual Governo da RAEM. Têm sido investidos recursos significativos em áreas como o planeamento de carreiras para alunos do ensino secundário, programas de formação, estágios e apoio ao emprego. No entanto, os programas de formação e certificação existentes continuam fragmentados, carecendo de uma integração sistemática, o que impede o aproveitamento total das sinergias. O plano do Governo – apresentado nas Linhas de Acção Governativa deste ano – de criar uma plataforma integrada de formação profissional deverá contribuir para resolver estas lacunas e melhorar a eficiência na utilização dos recursos.

Um dos principais desafios nos serviços de apoio ao emprego jovem prende-se com a ausência de percursos profissionais claros e com a debilidade do sistema de certificação profissional. No mercado de trabalho atual, com exceção de áreas altamente especializadas como veterinária, serviço social ou cargos nas seis principais concessionárias de Jogo, a maioria dos setores não apresenta planos estruturados de progressão na carreira, nem padrões amplamente reconhecidos de avaliação de competências. Como resultado, os empregadores tendem a basear-se em critérios vagos, como a “experiência profissional”, dificultando o reconhecimento das competências dos jovens – mesmo daqueles que investem tempo e recursos em formação – por parte do mercado. A ausência de reconhecimento das certificações profissionais por parte da indústria faz com que o esforço dos jovens em educação e formação adicional nem sempre se traduza em vantagens no emprego, gerando um desfasamento de expectativas. Os empregadores podem duvidar da experiência prática dos candidatos, enquanto os jovens enfrentam barreiras à entrada, inadequação de funções e oportunidades limitadas de progressão.

O Quadro de Qualificações de Hong Kong constitui um modelo útil: através de comissões consultivas sectoriais, compostas por associações empresariais, sindicatos e o governo, são definidos percursos de qualificação específicos para cada sector, segundo as suas necessidades. Este modelo oferece aos jovens uma rota clara de progressão e liga eficazmente a formação ao emprego, promovendo a cooperação entre indústria e academia. À medida que Macau avança com a sua estratégia de diversificação económica “1+4”, este exemplo pode fornecer orientações valiosas para o desenvolvimento profissional dos jovens. Recomenda-se que as futuras plataformas de formação profissional de Macau se inspirem na experiência de Hong Kong, assegurando não só a centralização da informação, mas também uma verdadeira ligação entre a formação e as necessidades reais do mercado de trabalho.

Para além do incentivo à obtenção de qualificações profissionais nacionais nas indústrias do plano “1+4”, Macau deveria considerar a criação de certificações profissionais locais e percursos claros de desenvolvimento profissional, promovendo simultaneamente um maior reconhecimento por parte dos empregadores. Encorajamos as autoridades a reforçar a orientação política e a criar incentivos para que as empresas valorizem as certificações profissionais, construindo um sistema de apoio ao emprego jovem baseado na colaboração tripartida entre governo, setor empresarial e sociedade.

Federação das Associações dos Operários de Macau

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