O preço médio por metro quadrado de frações autónomas destinadas a escritórios caiu 10% no primeiro trimestre de 2025 face ao trimestre anterior, situando-se nas 58.652 patacas, com o número de transações a cair 40%, para apenas 18 transações, de acordo com dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos.
Para Chris Wong, presidente da Associação de Agentes Imobiliários de Macau e diretor executivo da agência imobiliária Haoliwoo, vários fatores contribuíram para esta queda, entre os quais a decisão do Governo “deixar de arrendar imóveis privados, transferindo os serviços públicos para edifícios próprios”, explica ao PLATAFORMA.
O mesmo responsável destaca também a introdução de novas regulamentações no setor do Jogo, em vigor desde 2022: “A nova lei estipula que cada operador tem de realizar um elevado volume de investimento não relacionado com o Jogo nos próximos 10 anos. Como tal, cada operadora reduziu os gastos com o arrendamento de escritórios. Por exemplo, a Galaxy e a Melco encerraram os seus centros de formação localizados em imóveis privados”.
O mercado de escritórios continuará a registar quedas nos preços de venda e arrendamento. Se os preços continuarem a cair, os bancos poderão começar a executar empréstimos, o que é uma preocupação significativa
Chris Wong, presidente da Associação de Agentes Imobiliários de Macau
De acordo com este representante do setor imobiliário, os preços de arrendamento de escritórios atingiram “níveis inferiores aos registados em 2019”, antes da pandemia da Covid-19.
Chris Wong afirma também que os valores atuais de arrendamento de escritórios estão consideravelmente mais baixos do que em 2023, com taxas de desocupação superiores a 10% em muitas zonas da cidade. “Áreas específicas estão a registar taxas de desocupação ainda mais elevadas, incluindo o NAPE com 12,2%, o ZAPE com 13% e a Praia Grande com 13,1%. Mesmo os edifícios de escritórios de Classe A (escritórios de valor mais elevado) têm agora taxas de desocupação superiores a 10%”, refere. “Esta situação, com taxas de desocupação acima dos 10%, nunca se tinha verificado antes de 2019”, sublinhou.
Mark Wong, diretor do Departamento de Avaliação e Assessoria de Risco da JLL em Macau, explica ao PLATAFORMA que a “lenta recuperação económica e o facto de o Governo continuar a retirar-se do mercado privado de escritórios são os principais fatores que influenciam a procura”.
“No último trimestre de 2024, a taxa de desocupação de escritórios em Macau rondava os 12,2%, o que representa uma subida face aos 11,5% do quarto trimestre de 2023, na sequência dos desafios económicos”, destaca.
Embora “as rendas, os preços e as taxas de desocupação dos escritórios tenham começado a estabilizar”, os valores continuam “num nível muito baixo”, explica o representante da JLL.
Menos empresas menos arrendamentos

Outro fator que está a afetar o mercado é a diminuição no número de novas empresas registadas, com a procura a ser motivada principalmente por necessidades de realocação com vista à redução de custos.
Em 2024, foram registadas um total de 4.555 novas empresas em Macau, uma diminuição de 9,1 por cento em termos anuais, com 1.098 empresas encerradas no mesmo período, um aumento de 19,6% face ao ano anterior, de acordo com dados oficiais.
De acordo com o Índice de Escritórios da JLL Macau (índice composto por um conjunto de 17 edifícios cujos valores são monitorizados trimestralmente), os valores de arrendamento de escritórios tiveram uma queda anual de 4,5% em 2024, sendo que os escritórios de Classe A registaram uma queda ainda mais acentuada, com os valores de arrendamento a baixarem 6% desde o final de 2023.
A lenta recuperação económica e o facto de o Governo continuar a retirar-se do mercado privado de escritórios são os principais fatores que influenciam a procura
Mark Wong, diretor do Departamento de Avaliação e Assessoria de Risco da JLL em Macau
Segundo Mark Wong “a maioria dos inquilinos adotou estratégias de contenção de custos” incluindo “manter ou reduzir as rendas, ou mudar para escritórios mais pequenos quando termina o contrato”.
“Em casos extremos, alguns inquilinos podem encerrar o escritório de Macau e consolidar operações em outros centros de negócios como Hong Kong ou Singapura”, destaca.
Para o representante da JLL Macau vários projetos de construção de novos edifícios de escritórios para serviços públicos, que devem ficar concluídos em breve, poderão reintroduzir espaço adicional no mercado privado com a saída de mais departamentos públicos.
No entanto, avisa que “se a economia não melhorar, o mercado de escritórios de Macau enfrentará uma pressão significativa em termos de absorção”. Sublinhou ainda que um dos principais desafios continua a ser a falta de “novas empresas, negócios ou capital” a entrar no mercado.
Chris Wong, apresentou uma perspetiva ainda mais pessimista, estimando que “as condições económicas de Macau dificilmente irão melhorar nos próximos anos”.
“O mercado de escritórios continuará a registar quedas nos preços de venda e arrendamento. Se os preços continuarem a cair, os bancos poderão começar a executar empréstimos, o que é uma preocupação significativa, dado que mais de metade dos proprietários de escritórios têm atualmente empréstimos bancários”, alerta.
“Após a Covid-19, muitas PME viram os seus fluxos de caixa agravarem-se. Se os preços continuarem a cair, os bancos poderão forçar algumas empresas a reembolsar empréstimos, levando a uma interrupção nos fluxos de caixa de um grande número de PME. Esta situação poderá levar ao despedimento de trabalhadores, à não renovação de contratos de arrendamento e à redução de investimentos, criando um círculo vicioso”, conclui.