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Trump, Putin e Xi são a nova ordem mundial

Marcos Augusto Gonçalves, Editor da Ilustríssima. Formado em administração de empresas e Mestre em comunicação pela UFRJ

Quando anunciou a sua genuflexão ao governo de Trump e ao decidir acabar com a verificação dos factos nas suas redes, Mark Zuckerberg apontou baterias ao mundo ocidental.

Atacou a Europa reguladora, que tolheria a liberdade de expressão dos seus negócios, e a América Latina, periferia do Ocidente onde funcionariam tribunais secretos, igualmente inimigos da liberdade de expressão. O bilionário do Facebook poupou a China das suas queixas, bem como a Índia.

Agora, as inclinações antieuropeias e antiliberais de Trump tornaram-se patentes. O candidato a autocrata dos EUA parece respeitar muito mais as lideranças fortes da Rússia e da China do que os aliados europeus, vistos como fracos e dependentes.

Além das ameaças diretas ao Canadá, México, Dinamarca, ONU e NATO, Trump comprou a versão de Putin para a invasão da Ucrânia e acabou com a terceirização da guerra, alimentada por Biden e UE. Zelenski foi reduzido a um comediante que usurpou o poder, desviou recursos e tornou impossível negociar algum tipo de paz. Agora vai ter que ceder.

Não é preciso apoiar a visão de Trump para dizer que a situação anterior se mostrava insustentável, em que pesa a retórica de defesa das “leis internacionais” e a brutalidade do ato invasor. Estava claro que não haveria alternativa a uma guerra prolongada sem alguma concessão territorial da Ucrânia. Há quem aposte que a paz articulada por Trump será um convite a novas aventuras de Putin rumo à Europa. A ver.

O facto é que Trump, Putin e Xi são os novos decisores da geopolítica global. Neste mundo iliberal autocrático, são eles que arbitram e preenchem o papel de instituições multilaterais. Esqueça Nações Unidas, NATO e quejandos. A nova partilha está em curso.

Cada um deles quer dirigir o seu país e áreas de influência sem empecilhos institucionais. O russo vai no velho estilo imperial, e o chinês tem tudo controlado e planejado. Nenhuma das duas nações acumula experiência democrática.

São diferentes dos EUA, onde um sistema de regras e balanços subsiste, mas não se sabe como se comportará e até quando. Para Trump e seus rapazes, o que vale é o ultracapitalismo triunfante que transforma a administração do país em administração de uma empresa. Quem manda é o CEO, e o povo é acionista.

*Artigo editado. Originalmente publicado na Folha de S.Paulo

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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