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Medicina com excesso de oferta

Macau terá mais de 600 licenciados em medicina por ano até 2027, número que excede a procura no setor, alertam os Serviços de Saúde (SS)

Kuok Cheong U, subdiretor do SS e diretor do Hospital Conde de São Januário, refere que o quadro de pessoal do hospital não será aumentado. O limite de médicos ronda os 300, enquanto o número de enfermeiros oscila entre 1.000 e 1.200, Como não há planos para recrutamento em grande escala nos próximos três anos, prevê-se que os recém-licenciados tenham dificuldades a arranjar emprego.

Segundo o responsável, sem um aumento do número de funcionários, as oportunidades de emprego surgirão apenas quando houver saídas motivadas por uma mudança de carreira ou reforma. Não obstante, o hospital fará uma gestão flexível dos recursos humanos conforme as necessidades de cada especialidade e procurará otimizar o planeamento dos serviços médicos. Paralelamente, irá desviar parte dos pacientes de especialidade para o Hospital das Ilhas, de forma a distribuir e utilizar melhor os recursos de saúde.

Nesse sentido, Kuok Cheong U aconselha os jovens a explorarem oportunidades no âmbito do programa de recrutamento para Big Health do Governo da RAEM, olhando para outras saídas profissionais além dos hospitais, seja na medicina tradicional chinesa, na medicina ocidental ou nas outras 15 áreas da saúde reconhecidas.

Mais especialização

Chan Ngoi Chon, vice-presidente da Associação da Nova Juventude Chinesa de Macau, considera que a formação de jovens talentos na área da saúde está diretamente ligada ao desenvolvimento do setor. Por isso, apela ao Governo que reforce a evolução da indústria e a formação especializada, garantindo a disponibilidade de profissionais qualificados para diferentes áreas.

Defende ainda que o Governo da RAEM deve investir no desenvolvimento de serviços médicos especializados através do Hospital das Ilhas. De acordo com dados da Comissão para o Desenvolvimento de Quadros Qualificados, há uma escassez significativa de especialistas, que necessitam de completar formação específica para exercerem determinadas funções.

Dada a fase inicial de desenvolvimento da indústria e a natureza dos serviços médicos prestados, muitas das vagas no setor da saúde exigem qualificações especializadas. Desde o início do recrutamento para a formação de médicos especialistas, em 2021, apenas se realizou um novo processo de seleção no ano passado. Segundo o líder associativo, a periodicidade das admissões é longa e o número de formandos admitidos em cada ciclo é limitado, não correspondendo às reais necessidades do setor.

Artigo publicado em parceria com o Macau Daily News

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