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Macau Legend acusa Governo cabo-verdiano de “acto ofensivo”

A Macau Legend Development (MLD) acusou ontem o Governo cabo-verdiano de “acto ofensivo” por ter extinto, sem avisar, contratos e concessões do empreendimento de jogo e turismo previsto para a capital, Praia, que nunca chegou a concluir.

O empreendimento de milhões de euros, anunciado há dez anos, deixou parte da marginal da cidade entaipada, bloqueando o que era antes a Praia da Gamboa, com um hotel-casino de oito andares que permanece vazio. O Governo diz que agiu para resolver a situação, mas a empresa contesta.

“Estes atos administrativos de resolução de contratos e reversão dos bens para o Estado foram decretados sem que a Macau Legend Development (MLD) tivesse sido previamente notificada de qualquer decisão do procedimento administrativo em curso”, lê-se num comunicado publicado pela empresa no semanário Expresso das Ilhas.

“A MLD lançará, de imediato, mão dos meios legais ao seu dispor para defesa dos seus direitos e confia que, enquanto as razões relativas a estes contratos não forem dirimidas, o Estado de Cabo Verde não praticará mais nenhum ato ofensivo dos seus direitos, enquanto investidora”, acrescentou.

No âmbito do processo administrativo, a promotora diz que tem mantido o Governo a par de “negociações com investidores interessados” no empreendimento, pedindo “a definição dos elementos essenciais” para proteger “os interesses públicos de Cabo Verde”.

A empresa queixa-se de o Governo ter ignorado os pedidos e de só a ter notificado da decisão de extinguir tudo e reverter os bens, por correio electrónico, um dia depois da publicação em Boletim Oficial.

A MLD diz que sempre pagou as licenças devidas, junto da câmara municipal e das entidades governamentais, acrescentando que o último pagamento para renovação das licenças de jogo foi feito em 18 de Novembro, dia de publicação do fim dos contratos e reversão.

A empresa queixa-se de o Governo ter ignorado os pedidos e de só a ter notificado da decisão de extinguir tudo e reverter os bens, por correio electrónico, um dia depois da publicação em Boletim Oficial.

O Conselho de Ministros cabo-verdiano justificou a extinção dos contratos com reversão do hotel-casino e demais obras inacabadas, dizendo que “a MLD violou, de forma flagrante e reiterada, as obrigações”, sem cumprir prazos, sucessivamente revistos desde o primeiro anúncio do investimento.

O Governo disse ainda ter dado “todas as oportunidades” para a empresa retomar as obras, sem aceitar a justificação de que a situação atual deriva da pandemia de covid-19.

No final de novembro, a MLD comunicou à bolsa de valores de Hong Kong que o empreendimento em Cabo Verde tinha um valor de 47 milhões de dólares de Hong Kong (5,76 milhões de euros), longe dos 250 milhões de euros anunciados pelo empresário David Chow e autoridades cabo-verdianas em 2015.

Plataforma com Lusa

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