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Macau é exemplo de recuperação dos mercados estrangeiros a nível nacional

Tanto o Interior da China como Hong Kong estão a ter mais dificuldades que Macau a recuperar o volume de turistas estrangeiros observado antes da pandemia

Nelson Moura e Guilherme Rego

Macau já recuperou 67 por cento dos turistas estrangeiros face ao período pré-pandémico. Pode não parecer uma recuperação pujante, dada a ‘performance’ conseguida a nível mundial, mas a verdade é que está acima daquilo que são so números obtidos no Interior da China e em Hong Kong.

Até fim de junho, Macau recebeu 11.645.877 visitantes, sendo que desses, 1.168.622 vieram de fora da Grande China (China Continental, Hong Kong e Taiwan) – ou 7 por cento do volume total. No período homólogo de 2019, os visitantes internacionais (1.739.669) contribuiam para 8,6 por cento das entradas.

A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) estima que Macau termine o ano com 33 milhões de turistas, prevendo que os visitantes internacionais cheguem aos 2 milhões, o que significaria uma recuperação de 65 por cento até final do ano no que toca aos mercados estrangeiros – ligeiramente abaixo do que foi conseguido até final de junho.

Hong Kong e Continente

As autoridades da região vizinha ainda só divulgaram os dados turísticos até maio deste ano, pelo que não é possível fazer uma análise dos primeiros seis meses. Contudo, até final do quinto mês de 2024, Hong Kong ainda só recuperara 56 por cento dos turistas internacionais, quando comparado com o mesmo período em 2019. De sublinhar que a recuperação total do turismo na RAEHK também está a atravessar muitas dificuldades, tendo conseguido apenas chegar a 60,6 por cento dos números pré-pandémicos, muito devido a uma queda assinalável dos visitantes do Interior da China.

Já no Continente, as autoridades informaram que no primeiro semestre de 2024 houve um crescimento anual de 150 por cento nas visitas internacionais – mas só cerca de 33 por cento, ou um terço do visitantes estrangeiros que chegaram na primeira metade de 2019. Embora os meios de comunicação social estatais tenham indicado a política alargada de isenção de vistos do país como um fator determinante, os números contam outra história: segundo as estatísticas, 287 milhões de pessoas entraram e saíram da China entre janeiro e junho deste ano. Desses, 29.2 milhões eram estrangeiros – cerca de 10 por cento do total – e apenas 8.5 milhões usaram a isenção de visto, ou seja, aproximadamente 29 por cento dos turistas internacionais. Em 2019, a China recebeu 98 milhões de visitantes estrangeiros, pelo que se pode dizer que a recuperação se encontra lenta.

No final do ano passado, a China alargou a isenção de vistos por um período máximo de 15 dias a uma dúzia de países europeus, juntamente com a Austrália, a Nova Zelândia e a Malásia, até ao final de 2025. No Sudeste Asiático, Tailândia e Singapura também assinaram acordos com Pequim para facilitar as viagens sem visto. Porém, várias organizações internacionais sugerem que os acordos terão pouco impacto, devido aos custos associados às viagens de longa distância.

Atrás a nível global

Ainda que sem dados disponíveis para o segundo trimestre do ano, o Barómetro de Turismo Mundial da Organização das Nações Unidas (ONU) coloca a recuperação registada em Macau abaixo da média mundial no primeiro trimestre do ano. De sublinhar que Macau se encontra na região da Ásia-Pacífico, que por sinal é a que tem tido maiores dificuldades para recuperar os mercados internacionais no pós-pandemia.

A nível global, as chegadas internacionais atingiram 97 por cento dos níveis de 2019 no primeiro trimestre de 2024, refletindo uma recuperação quase completa dos números pré-pandémicos. Estima-se que 285 milhões de turistas internacionais tenham viajado nos primeiros três meses de 2024, um crescimento de 20 por cento face ao mesmo período no ano passado. Resultados que “foram impulsionados pela forte procura, abertura dos mercados asiáticos, bem como pela melhoria da conetividade aérea e facilitação de vistos”, segundo a ONU.

O Médio Oriente registou o crescimento relativo mais forte, com as chegadas internacionais a excederem em 36 por cento os níveis pré-pandémicos no primeiro trimestre de 2024. A Europa excedeu os níveis pré-pandémicos “pela primeira vez” desde 2019, com uma variação positiva de 1 por cento.

O continente africano recebeu mais 5 por cento de turistas internacionais no primeiro trimestre do ano, face a 2019, enquanto as Américas praticamente atingiram os números pré-pandémicos (99 por cento).

As chegadas na Ásia e no Pacífico recuperaram 82 por cento dos níveis pré-pandémicos no primeiro trimestre de 2024, depois de terem recuperado 65 por cento em 2023. No continente asiático o destaque vai para o o Japão, que com a quebra do iene conseguiu mais 6 por cento de visitantes internacionais face ao primeiro semestre de 2019. Outros, como a Coreia do Sul, Singapura e Tailândia, recuperaram 91%, 88% e 87,5%, respetivamente.

Despesas do turismo sobem

A ONU calcula que o total das receitas provenientes do turismo internacional, incluindo de transporte de passageiros, atingiu 1.7 biliões de dólares americanos em 2023, cerca de 96 por cento dos níveis pré-pandémicos em termos reais (ou seja, excluindo a inflação). Entretanto, com o crescimento global do turismo, estima-se que as relativas despesas tenham também aumentado.

Neste parâmetro, Macau acaba de superar o valor registado no primeiro semestre de 2019, com um aumento de 16 por cento nas despesas dos turistas, segundo a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

O mais recente Índice de Confiança do Turismo das Nações Unidas revela perspetivas positivas até ao mês de agosto, “embora os ventos contrários económicos e geopolíticos continuem a representar desafios significativos para a recuperação completa do turismo internacional e dos níveis de confiança”.

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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