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Parentes na guerra e adaptação desafiam nova vida no Brasil de repatriados de Gaza

Palestino-brasileiros abrigados no interior de SP relatam preocupação com familiares deixados para trás e com poucas oportunidades de trabalho

O palestino com cidadania brasileira Ramadan Hasan Abdou, 29, teve de tomar a decisão mais difícil de sua vida dias após o início da guerra Israel-Hamas. Depois de escapar da morte em um bombardeio que destruiu a sua casa, embarcou para o Brasil no primeiro grupo de repatriados pelo governo federal, mas deixou para trás três de seus filhos.

As crianças não tiveram autorização da mãe para viajar e ainda hoje estão sob risco na Faixa de Gaza. Com seis meses de guerra, completados no domingo (7), Abdou tenta se adaptar à nova rotina, mas afirma que a cada dia a angústia aumenta. A mãe das crianças, sua ex-mulher, está desaparecida desde que outro ataque devastou o prédio em que ela estava abrigada.

Os filhos agora vivem com duas tias em condições precárias numa tenda na cidade de Rafah, o único grande centro urbano que Tel Aviv ainda não invadiu por terra. “As crianças [em Gaza] estão morrendo de fome. Eu costumo dizer que os animais agora vivem melhor do que as pessoas”, diz Abdou, que mora em um apartamento alugado em São Paulo com a atual mulher e outros dois filhos.

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