Início China “Saúde na relação” luso-chinesa deve ter em conta Ucrânia e África

“Saúde na relação” luso-chinesa deve ter em conta Ucrânia e África

O ex-embaixador português na China Jorge Torres Pereira considera que para a “saúde da relação” bilateral, Pequim deve ter atenção à intervenção na guerra na Ucrânia e os interesses em África e na América do Sul.

Em declarações à Lusa na sessão que assinalou o 45.º aniversário das Relações Diplomáticas Portugal-República Popular China, em Lisboa, o embaixador português em Pequim entre 2013 e 2017 disse “ser muito importante para a saúde da relação Portugal, enquanto país europeu, e para ele próprio com a China” que vários pontos sejam tidos em conta.

“Nós queremos obviamente a paz no estreito de Taiwan, no mar do Sul da China. Nós, obviamente gostaríamos que a China não fosse marcar esta grave crise, que nós temos na Europa com a invasão da Ucrânia, de uma forma negativa. E também gostaríamos que nas áreas em que nós também temos interesses, nomeadamente, em África ou na América do Sul, a China também tomasse em linha de conta, obviamente os seus interesses, mas também que tomasse perfeitamente em conta que os outros países também têm os seus interesses nessas áreas”, argumentou.

Torres Pereira recordou que da parte de Portugal há aspetos distintivos em relação a outros países europeus, começando por Macau, e que a “China tem consciência que aquilo que se passa em Macau se repercute na opinião pública portuguesa”.

“A maneira como a população portuguesa, a sociedade portuguesa olha e olhará para a China nos próximos anos também terá muito em atenção do que tudo corra bem no que nós acordámos com a China sobre este período em Macau”, numa referência à transferência da administração do território de Lisboa a Pequim e que criou, em 1999, a Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China.

O antigo embaixador opinou que o processo em Macau “está a correr bem”, acrescentando que o “contexto internacional é muito mais complexo hoje em dia” e a existência de “forças de fragmentação da economia global” e “tendências de estreitar as cadeias de produção”, além de “questões de bifurcações das tecnologias dos semicondutores”.

“Pessoalmente, acredito que nós ainda conseguiremos, digamos, Voltar a uma forma mais saudável da globalização Sem que estejamos a criar duas áreas globais de competição, digamos assim, mas as responsabilidades por evitar isso são das duas partes, como é evidente”, concluiu.

No evento que decorreu no Centro Científico e Cultural de Macau, o Embaixador da China em Portugal, Zhao Bentang, notou a dupla comemoração dos 45 anos das relações diplomáticas e do novo ano chinês e destacou como a amizade entre os dois países “remonta a longa data” e se tem “renovado”, ao “manter a tendência de desenvolvimento saudável” em diversos âmbitos como a política, economia, tecnologia ou cultura.

A cooperação, segundo o diplomata, acarreta “benefícios tangíveis para os dois países e povos”, ao contribuir para a paz e prosperidade quer a nível regional, como global.

Zhao Bentang afirmou a “cooperação exemplar”, a evolução do comércio e investimentos, uma vez que às áreas tradicionais se têm juntado, por exemplo, as renováveis, a proteção ambiental e a economia digital, assim como a simplificação no processo de atribuição de vistos e a colaboração em termos de língua.

Por seu lado, José Manuel Duarte de Jesus, embaixador de Portugal na República Popular da China entre 1993 e 1997, recordou que Portugal foi o primeiro país europeu a iniciar um diálogo oficial com Pequim e como há “condições muitos especiais” para entender a “nova rota da seda”, um “paradigma único da nova ordem mundial, baseado no multiculturalismo, diálogo e paz”.

Duarte de Jesus destacou o “paralelo” entre esta estratégia e a globalização portuguesa”baseada no multiculturalismo” e como as negociações para a transferência de Macau são tidas como “exemplares”, designadamente pela Universidade de Harvard.

A ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Elvira Fortunato, encerrou o evento notando a colaboração entre Portugal e China nos domínios da sua tutela.

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