Início » Eleições atrasam discussão da residência na RAEM

Eleições atrasam discussão da residência na RAEM

Alexandre Leitão voltou a abordar o assunto, que até dezembro de 2023, numa entrevista à Macau Business, tinha mantido dentro de portas, para “não afetar as negociações”. Desta vez, ao Canal Macau, o cônsul português admitiu que as autoridades do seu país ficaram perplexas pela decisão do Governo de Macau de bloquear a atribuição de residência dos portugueses por “funções técnicas especializadas” – uma opção contemplada pelo menos desde 2003.

Guilherme Rego

Os nacionais portugueses ainda mantêm um regime de exceção, seja por agregado familiar ou anterior ligação à RAEM, mas quem não tem vê o BIR mais longe – a não ser que cumpra os requisitos do regime jurídico de quadros qualificados, que exige um nível de especialização alto. Alexandre Leitão faz questão de sublinhar que o problema é “residual”, pois não são muitos os que são afetados por esta mudança, mas que não deixa de ser importante resolver.

Salienta também ter “dificuldades” em perceber a decisão “no contexto da afirmação da plataforma de relação com os Países de Língua Portuguesa, face à Lei Básica, e ao facto da língua portuguesa ser uma língua oficial.”

“As alterações que se fizeram são legais, mas também manifestámos a nossa surpresa e perplexidade porque temos dificuldade em percebê-las”, afirmou o cônsul.

Apesar de não colocar em causa a legalidade, diz que as autoridades portuguesas estão a tentar convencer a RAEM da mais-valia das comunidades portuguesas. “Estamos apenas a tentar fazer valer junto dos nossos interlocutores a convicção de que vale a pena apostar nos quadros portugueses e lusófonos, pelo domínio da língua e porque verdadeiramente são pessoas, comunidades que nunca criam problemas e que trazem mais-valia para o território”, frisou.

Por outro lado, referiu que as eleições em Portugal e também em Macau, em 2024, estão a ter impacto no processo. “Acaba por ser um ano especial, quer para a Região, porque há uma mudança, ou não, porque há uma renovação do Executivo, e em Portugal também há uma mudança do Governo. São processos que a dada altura carecem de validações políticas, carecem, se calhar, de encontros ao nível político. O que estamos a fazer é um trabalho preparatório de exposição dos pontos de parte a parte, das questões que são importantes”, justificou.

Confrontado com o facto de existirem pedidos de reunião familiar para portugueses que são recusados, assim como recusas de estender os vistos de turismo, o cônsul defendeu as autoridades de Macau, e justificou que são questões de “soberania”.

“Eu oiço as pessoas falarem da prática chinesa, ou macaense, mas não sei se muitas vezes estão conscientes de que ela é muito parecida com a portuguesa. A grande questão que se coloca nesses casos é: houve alguma ilegalidade? houve algum erro à luz da lei? É que se não houve estamos no domínio da soberania”, defendeu.

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!

Uh-oh! It looks like you're using an ad blocker.

Our website relies on ads to provide free content and sustain our operations. By turning off your ad blocker, you help support us and ensure we can continue offering valuable content without any cost to you.

We truly appreciate your understanding and support. Thank you for considering disabling your ad blocker for this website