Os combates estavam em curso desde que, no final de outubro, três desses grupos lançaram uma ofensiva conjunta contra a junta militar no poder em Naipidau.
O Exército de Arakan (AA), o Exército da Aliança Democrática Nacional da Birmânia (MNDAA) e o Exército de Libertação Nacional Ta’ang (TNLA) apoderaram-se de posições das tropas de Myanmar e de postos fronteiriços vitais para o comércio com a China.
Esta ofensiva, segundo analistas, constitui o maior desafio militar já lançado à junta, desde que os generais tomaram o poder em 2021, a expensas do Governo democraticamente eleito da prémio Nobel da Paz 1991, Aung San Suu Kyi, desde então mantida em prisão domiciliária.
“Recentemente, graças à mediação da China, o exército de Myanmar” e esses três grupos rebeldes “mantiveram conversações de paz na China”, declarou hoje uma porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Mao Ning, num comunicado.
“Eles chegaram a um acordo sobre um determinado número de pontos, nomeadamente sobre um cessar-fogo provisório e sobre a manutenção do diálogo”, precisou a porta-voz.
Segundo a ONU, mais de 200.000 pessoas viram-se obrigadas a abandonar as suas casas por causa dos combates iniciados a 27 de outubro no norte do Estado Shan, perto da fronteira chinesa, onde três grupos de minorias étnicas coordenaram um ataque ao poder militar central.

Segundo a ONU, mais de 200.000 pessoas viram-se obrigadas a abandonar as suas casas por causa dos combates iniciados a 27 de outubro no norte do Estado Shan, perto da fronteira chinesa (Photo by CHAIDEER MAHYUDDIN / AFP)
“O conflito no norte de Myanmar está claramente a registar um abrandamento”, afirmou hoje Mao Ning. “Isso não só serve os interesses de todas as partes envolvidas em Myanmar, como também contribui para garantir a paz e a tranquilidade na fronteira entre a China e Myanmar”, um ponto em relação ao qual Pequim está particularmente alerta.
As regiões fronteiriças de Myanmar são há décadas palco de confrontos entre o Exército e grupos étnicos pelo controlo dos recursos naturais e das receitas provenientes do tráfico de droga, de casinos e de burlas na Internet, num contexto de reivindicações de autonomia política.
Plataforma com Lusa