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Sapatos. Portugal exportou menos mas vendeu mais caro

Fasquia do primeiro semestre superada no positivo, mas retração nos principais mercados de destino é "particularmente adversa". Situação só deverá normalizar no final do ano

A indústria portuguesa do calçado exportou, no primeiro semestre, 36,6 milhões de pares de sapatos no valor de 964 milhões de euros, o que representa uma quebra de 7,3% em quantidade, mas um aumento de 1,03% em valor.

Apesar das expectativas para 2023 não serem as mais positivas – com a APICCAPS, a associação do setor, a avisar sucessivamente que o ano se perspetiva “particularmente exigente”, em consequência do abrandamento económico “comum à maioria dos principais mercados de destino do calçado português” -, os números do primeiro semestre ainda surpreenderam, mantendo-se em terreno positivo. Para a segunda metade do ano, são esperados tempos mais difíceis, até porque as encomendas “estão a chegar a conta gotas e em menor volume do que no ano passado”, reconhece o diretor de comunicação da associação.

Paulo Gonçalves fala num “abrandamento generalizado” do comércio à escala global, uma situação que “penaliza um setor altamente exportador como o calçado, que destina 95% do que produz aos mercados internacionais”, mas que não é exclusivo de Portugal. “Dos cinco maiores produtores mundiais de calçado, só o Brasil aumentou as suas exportações no primeiro semestre, com um acréscimo de 3%. A China registou uma quebra de 9%, o Vietname perdeu 17%, a Índia caiu 12% e a Indonésia exportou menos 15%”, diz o responsável, assumindo que a situação é “particularmente adversa”, mas é conjuntural.

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