Influencer de Macau que se suicidou teve alta médica no dia anterior a uma primeira tentativa

Horas depois de ter recebido alta médica após uma primeira tentativa de suicídio, a youtuber de Macau tentou novamente, e desta vez com sucesso. Decisão médica não está a ser investigada, segundo as autoridades.

por Guilherme Rego

Apesar da influencer natural de Macau, Jane Lao, ter sido assistida no hospital por tentativa de suicídio no dia anterior à sua morte, o caso não está a ser investigado nem foi alvo de qualquer queixa. A revelação foi feita ao Hoje Macau pelos Serviços de Saúde de Macau (SSM) e pela Comissão de Perícia do Erro Médico.

A youtuber faleceu no dia 26 de Julho, depois de ter queimado carvão no quarto. Todavia, no dia anterior, Jane Lao já tinha estado num dos hospitais de Macau, onde foi tratada devido a uma primeira tentativa de suicídio, como noticiado pela imprensa de Hong Kong.

Embora revelasse sinais evidentes de uma saúde mental debilitada, Jane Lao recebeu alta médica horas após a primeira tentativa de suicídio. De regresso a casa, a residente fez nova tentativa de suicídio, desta vez com sucesso.

No entanto, a decisão médica de lhe conceder alta hospitalar não está a ser alvo de qualquer investigação. E da parte da família da youtuber também não terá sido apresentada qualquer queixa sobre a conduta hospitalar.

Sem queixa nada a investigar

Jane Lao tinha-se queixado de tratamento abusivo por parte da Manner, uma agência que gere vários talentos locais, inclusive Jane Lao, até 2021. A influencer natural de Macau começou a sofrer de ansiedade e depressão depois de um aborto. (Fotografia retirada da página oficial de Facebook de Jane Lao) 

Ao Hoje Macau, os SSM disseram que não houve qualquer queixa apresentada relativamente a este caso em concreto.
“Para diversas situações, o Conselho dos Profissionais de Saúde e a Comissão de Perícia do Erro Médico também dispõem de mecanismos próprios de apresentação de queixa ou de impugnação instituídos”, indicaram.

Em relação ao procedimento no tratamento de casos de suicídio, os SSM explicaram que os médicos seguem “directrizes relevantes”, embora não especifiquem quais são. Simplesmente afirmam que “os médicos farão julgamentos médicos com base nos seus conhecimentos e experiências profissionais”.

Os SSM recusaram comentar o caso concreto de Jane Lao ao Hoje Macau, argumentando que os dados pessoais clínicos são “confidenciais” e, por isso, “protegidos por lei”.

A Comissão de Perícia do Erro Médico diz que sem queixa não pode realizar uma investigação, algo estabelecido pelo ‘Regime jurídico do erro médico’.

“A perícia técnica deve ser requerida, por escrito, no prazo legal, junto da comissão, com cópia do registo médico em causa. Em caso de morte ou impossibilidade de declaração do utente, os familiares com legitimidade podem requerer perícia à comissão, pela ordem estabelecida no artigo 6.º da mesma lei. O processo de investigação é iniciado quando o pedido é admitido”.

“De acordo com os registos, a comissão não recebeu qualquer requerimento de perícia relativa a este caso”, indicou a comissão.

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