As assimetrias regionais em relação ao índice de competitividade agravaram-se em 2021 face ao ano anterior, “atingindo o valor mais elevado de toda a série”, isto é, desde 2011, revelou esta segunda-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE).
O relatório do INE mostra que a disparidade territorial do índice de competitividade subiu 6,6%, em 2020, ano marcado pelo início da crise pandémica da covid-19, para 7,1%, em 2021.
Sem surpresas, Lisboa, Aveiro e Porto continuam a liderar o ranking das regiões mais competitivas. “No índice de competitividade apenas quatro sub-regiões superavam a média nacional: a Área Metropolitana de Lisboa (113,17), com posição destacada, a Região de Aveiro (106,88), a Área Metropolitana do Porto (106,10) e o Alentejo Litoral (101,80)”, de acordo com o INE.
O Alentejo Litoral sobe assim dois lugares no ranking, passando da sétima para a quarta posição.
Em sentido oposto, “o Interior continental e as regiões autónomas apresentavam um índice de competitividade menor em comparação com o Litoral continental”, indica o INE.
“Entre as três dimensões do desenvolvimento regional, o índice de competitividade das NUTS III portuguesas apresentava a maior disparidade regional”, destaca o gabinete de estatísticas.
De acordo com o INE, este indicador “apresentou o menor nível de disparidade inter-regional em 2012 e o maior em 2021 – mantendo-se a tendência de aumento registada a partir de 2016”.
No índice de coesão, os resultados refletem um retrato territorial mais equilibrado do que o observado para a competitividade, na medida em que oito sub-regiões superavam a média nacional: a Região de Coimbra (106,66), com o índice de coesão mais elevado, no Litoral norte, o Cávado (106,21) e a Área Metropolitana do Porto (102,39), no Litoral centro, a Região de Leiria (101,55), a Região de Aveiro (101,33) e o Médio Tejo (100,48) e, mais a sul, a Área Metropolitana de Lisboa (105,79) e o Alentejo Central (101,95).
As regiões autónomas dos Açores e da Madeira, o Baixo Alentejo e, o território da região Norte, constituído pelo Douro e Alto Tâmega apresentavam os índices de coesão mais baixos, indica o INE.
Menos competitivas mas com melhor qualidade ambiental
Em relação ao índice de qualidade ambiental, os resultados de 2021 são inversos aos do indicador de competitividade. Assim, verificou-se uma concentração de sub-regiões com índices de qualidade ambiental mais elevados no Interior continental e nas regiões autónomas, com o padrão territorial dos resultados desta dimensão a sugerir um aumento progressivo da qualidade ambiental do Litoral para o Interior continental.
Terras de Trás-os-Montes (112,49) era, em 2021, a NUTS III com melhor desempenho no índice de qualidade ambiental. O INE destaca ainda as regiões da faixa Litoral do Continente – Alto Minho (102,13), Região de Coimbra (101,38), Área Metropolitana do Porto (101,24) e Cávado (100,18) – com resultados superiores à média nacional.
Segundo o relatório do gabinete de estatísticas, a média nacional nesta dimensão foi superada por 16 regiões, verificando-se uma disparidade territorial menor do que a observada para a competitividade e a coesão.
Entre as nove sub-regiões com índices de qualidade ambiental abaixo da média nacional, encontravam-se cinco das 10 NUTS III mais competitivas: Região de Aveiro, Região de Leiria, Oeste, Área Metropolitana de Lisboa e Alentejo Litoral.
O índice de qualidade ambiental registou, em 2021, o mesmo nível de assimetria inter-regional que em 2020. O menor nível de disparidade inter-regional verificou-se em 2011 e o maior em 2015, aponta o INE.
Conjugando o desempenho dos três indicadores parciais acima referidos (competitividade, coesão e qualidade ambiental) obtém-se o índice sintético de desenvolvimento regional.
Neste caso, os resultados revelam que cinco das 25 sub-regiões NUTS III superavam a média nacional: as áreas metropolitanas de Lisboa (106,06) e do Porto (103,32), o Cávado (101,36), a Região de Aveiro (101,22) e a Região de Coimbra (100,39).
Porto é a região mais atrativa
Mas a Área Metropolitana do Porto era a única sub-região com um desempenho superior ao da média nacional nos quatro índices compósitos, situação que se verifica desde 2018.
A Área Metropolitana de Lisboa, o Cávado, a Região de Aveiro e a Região de Coimbra também estavam acima da média de Portugal no índice sintético de desenvolvimento regional, contudo ficaram aquém em, pelo menos, um dos três indicadores parciais: a Área Metropolitana de Lisboa e a Região de Aveiro não superavam a média nacional na qualidade ambiental; o Cávado e a Região de Coimbra não atingiam a média nacional na competitividade.