Dez meses depois de o embaixador ucraniano nas Nações Unidas ter declarado que a Rússia ocupa de forma ilegal o assento que pertencia à União Soviética no Conselho de Segurança das Nações Unidas, o governo ucraniano volta à carga com o tema, e agora pretende até a expulsão de Moscovo da organização. Ao mesmo tempo, o chefe da diplomacia mostrou interesse na realização de uma cimeira para alcançar a paz, de preferência mediada pelo secretário-geral da ONU e a ter lugar em Nova Iorque.
As condições delineadas pelo ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Dmytro Kuleba, não parecem atrativas para a Rússia de Vladimir Putin aceitar participar diretamente na cimeira da paz: em entrevista à Associated Press, Kuleba disse que Moscovo teria de aceitar enfrentar um tribunal de crimes de guerra como condição para se sentar à mesma mesa.
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No entanto, o ministro, que gostaria de ter António Guterres como mediador, admite que outros países pudessem falar diretamente, tal como aconteceu com o acordo dos cereais no Mar Negro, no qual participou não só a ONU mas também a Turquia. “Cada guerra termina de uma forma diplomática. Cada guerra termina como resultado das ações tomadas no campo de batalha e na mesa de negociações”, disse Kuleba, que aponta a cimeira para finais de fevereiro, um ano após o lançamento da “operação militar especial” russa.
Em novembro, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky apresentou durante a cimeira do G20 a sua fórmula para a paz. O Kremlin repete estar pronto para negociações, mas tendo em conta “as realidades atuais”, uma forma de dizer que quer não só o reconhecimento da anexação da Crimeia mas também das outras quatro regiões em que fabricou referendos em setembro.
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