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EUA diz que China e Rússia desestabilizam a África e recebe líderes do continente

AFP

Os Estados Unidos advertiram nesta terça-feira (13) que China e Rússia desestabilizam a África com suas intromissões enquanto estendia o tapete vermelho aos líderes do continente prometendo bilhões de dólares em apoio.

No total, 49 líderes africanos voaram para Washington para a primeira cúpula continental com os Estados Unidos em oito anos, enquanto o presidente democrata Joe Biden busca usar a diplomacia pessoal para recuperar influência internacional.

O secretário de Defesa, Lloyd Austin, em um painel com vários presidentes africanos no começo da cúpula de três dias, advertiu sobre um enfoque diferente dos rivais dos americanos.

Austin disse que a China estava expandindo sua presença na África “diariamente” através de sua crescente influência econômica.

“O preocupante é que nem sempre são transparentes em termos do que estão fazendo e isso cria problemas que eventualmente serão desestabilizadores, se é que já não estão sendo agora”, destacou.

A Rússia, por sua vez, “continua vendendo armas baratas” e mobilizando “mercenários em todo o continente. E isso também é desestabilizador”, acrescentou.

Contudo, o governo Biden optou majoritariamente por não falar explicitamente sobre os rivais. Considera inútil tentar mudar o rumo dos gastos maciços da China em infraestrutura.

Biden planeja liberar US$ 55 bilhões para a África durante três anos. Em um dos primeiros anúncios, a Casa Branca disse que os Estados Unidos investirão US$ 4 bilhões durante o ano fiscal de 2025 com o objetivo de capacitar trabalhadores de saúde africanos, uma prioridade crescente para Washington desde a pandemia de covid-19.

O primeiro dia da cúpula também contou com a presença de representantes da Nasa, e Nigéria e Ruanda se tornaram as primeiras nações africanas a firmar os acordos Artemis, uma oferta liderada pelos Estados Unidos para a cooperação internacional em viagens à Lua, Marte e além.

Os acordos de Artemis, que já incluem aliados europeus, Japão e vários países latino-americanos, acontecem no momento em que a China está expandindo rapidamente o seu próprio programa lunar e que as tensões com a Rússia ameaçam seu trabalho posterior à Guerra Fria com os Estados Unidos no espaço.

Promover a democracia

Durante a cúpula, Biden descreverá o apoio dos Estados Unidos à União Africana (UA) para obter uma vaga formal no clube das principais economias do G20, meses depois de lançar apoio a um assento africano permanente no Conselho de Segurança da ONU.

Ao contrário da China, que realiza cúpulas a cada três anos com líderes da África, os Estados Unidos planejam promover os valores democráticos.

Jake Sullivan, assessor de Segurança Nacional de Biden, disse que o presidente se reunirá com líderes africanos que terão eleições pela frente em 2023.

“Gostaríamos de fazer o possível para apoiar essas eleições e fazer com que sejam livres, justas e confiáveis”, disse Sullivan.

Os sucessivos presidentes que passaram por Washington empreenderam iniciativas emblemáticas para a África. 

George W. Bush (2001-2009), por exemplo, lançou uma importante iniciativa para a luta contra o vírus HIV e a aids, o que é considerado um de seus principais legados. Já Barack Obama (2009-2017) liderou uma campanha para promover a eletricidade, que, segundo funcionários americanos, levou energia pela primeira vez para 165 milhões de pessoas.

Em contrapartida, o sucessor de Obama, o magnata republicano Donald Trump (2017-2021), não escondeu sua falta de interesse na África.

A cúpula de Biden com os líderes da região será a primeira de um presidente americano desde a realizada por Obama em 2014.

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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