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BNU | Ho Iat Seng terá desaconselhado sucursal em Pequim

Hoje Macau

Num livro sobre o ex-Governador do Banco de Portugal Carlos Costa surge a revelação de que Ho Iat Seng terá desaconselhado, em 2005, a expansão do BNU para Pequim.

O então deputado e empresário terá elencado como problemas para a abertura de uma sucursal a “corrupção, especulação imobiliária e narcotráfico”

Ho Iat Seng, na qualidade de empresário, terá desaconselhado em 2005 Carlos Costa, ex-Governador do Banco de Portugal, a expandir a presença do Banco Nacional Ultramarino (BNU), detido pela Caixa Geral de Depósitos (CGD), no país, após a abertura de uma sucursal em Xangai. Ho Iat Seng, que na altura já era deputado, terá alertado Carlos Costa por entender que Pequim não reunia ainda condições para receber o investimento do banco estatal português.

A revelação surge no mais recente livro do jornalista Luís Rosa, intitulado “O Governador”, que acaba de ser lançado em Portugal. No quinto capítulo, intitulado “A passagem pela Caixa e o regresso à Europa” é referido que o conselho de Ho Iat Seng se deveu à existência de “corrupção, especulação imobiliária, penetração nos meios suburbanos do narcotráfico alimentado por redes oriundas de um país vizinho e problemas ambientais, a que acresce um sistema jurídico pouco seguro”.

Carlos Costa era então responsável pela área internacional da CGD, função que ocupou na qualidade de administrador do banco, entre Abril de 2004 e Setembro de 2006.

O livro refere que Carlos Costa, nesse cargo, “vai dar grande importância a Macau, por ver aí uma possibilidade de explorar o importantíssimo mercado chinês devido ao prestígio do BNU na comunidade macaense”. Foi então que o BNU abriu “um escritório de representação na praça financeira de Xangai”. Costa “queria ir mais longe, mas recebeu um conselho para não o fazer”, lê-se na obra, “de um importante empresário, cliente do BNU Macau, que fazia parte do Comité Permanente do Politburo do Partido Comunista Chinês e da Assembleia Popular Nacional da China”.

“Carlos Costa nunca o confirmou, mas o empresário em questão será o actual chefe do Governo de Macau, Ho Iat Seng (também conhecido como Ho Teng-iat), que na altura era o CEO do grupo industrial Ho Tin”, acrescenta-se ainda no mesmo capítulo.

As palavras de Ho

No diálogo com Costa, Ho Iat Seng terá manifestado “uma grande dívida de gratidão para com o BNU/CGD que acreditou e financiou a minha família em tempos muito difíceis”. Desta forma, considerava “desejável a expansão da presença do BNU na China”. No entanto, não estavam “criadas as condições para a CGD ir para Pequim” devido às questões mencionadas.

“Depois de cuidada ponderação das informações recolhidas, optou-se por uma entrada gradual e foi solicitada autorização para a abertura de um escritório de representação em Xangai, que foi inaugurado em 2006”, referiu Carlos Costa.

“Posteriormente, problemas diagnosticados por aquele importante dirigente chinês, nomeadamente a corrupção e o crescente tráfico de droga nas grandes cidades, começaram a ser duramente combatidos pela liderança do presidente Xi Jinping”, acrescenta a mesma obra.

Carlos Costa entende que foram desperdiçadas oportunidades pela CGD ao travar a expansão, via BNU, na China. “O BNU contribui hoje [Julho de 2020] com cerca de 50 milhões de euros para os resultados da Caixa. Mas poderia ter ido mais longe. Portugal e a Caixa nunca souberam tirar partido do prestígio e do crédito que tinham em Pequim através dos clientes do BNU. Entretanto, os grandes bancos europeus estabeleceram-se na China. Interrogo-me se não foram os interesses de bancos privados portugueses que travaram a afirmação da CGD na China”, é apontado no livro.

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