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Vinho português abre o paladar oriental

O vinho na China há muito que é sinónimo de…França. No entanto, esse conceito tem vindo a mudar, sobretudo pela entrada de Portugal na corrida por este mercado, que já há alguns anos começa a gostar verdadeiramente de vinho

Embora apenas cerca de 4 por cento da população chinesa beba regularmente vinho, a China é já o quarto maior consumidor de vinho do mundo, sobretudo devido à sua dimensão populacional – 1,4 mil milhões de habitantes.

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E são estes muitos milhões que Portugal tem de aproveitar, diz Rui Rodrigues, da Associação de Escanções de Portugal.

“Há alguns anos, não muitos, o único vinho português conhecido na China era o vinho do Porto. Os chineses sempre ligaram o vinho tradicional ao vinho que chegava de França, sobretudo da zona de Bordéus. No entanto, as coisas têm mudado. Há alguns anos que trabalho com vários restaurantes na China e o facto de muitos escanções portugueses terem ido para a Ásia, para a China, sobretudo, fez com que o mercado de vinhos portugueses tenha crescido a nível de exportação para aquele lado do mundo”, salientou o especialista, destacando depois o que falta para que o vinho português tenha ainda mais sucesso na China.

“Falta, essencialmente, que se dêem a conhecer. Há muitas feiras vínicas na China, muitas mesmo. Mas a verdade é que os produtores portugueses não têm apostado fortemente neste mercado. É certo que estão a ir mais vezes, daí que a exportação comece a crescer, mas ainda é muito pouco face ao que Portugal tem para mostrar de tanta qualidade”, refere Rui Rodrigues.

Se há alguns que ainda não conhecem bem o mercado chinês, outros há muito que o descobriram, nomeadamente os produtores do Tejo. Quintas como a Adega Cooperativa do Cartaxo, Casal Cadaval, Casal da Coelheira, Casal do Conde, Companhia das Lezírias, Fiuza, Quinta da Alorna, Quinta da Ribeirinha e Quinta Vale de Fornos têm feito roadshow por este país asiático, tudo devido à Comissão Vitivinícola Regional do Tejo (CVR Tejo), que viu aqui um mercado emergente.

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“Era evidente que o vinho português tinha de rumar à China. Se há comercialização de tudo e mais alguma coisa com a China, o vinho não podia ficar para trás. E há mais de dez anos que a CVR Tejo tem feito este trabalho é já o segundo maior país para onde a nossa região exporta”, confessa Luís de Castro, o presidente da CVR Tejo.

Economicamente, também não se pode desmentir que a China tem muito para dar ao vinho português, nomeadamente aos seus produtores.

“Claro que sim, a China é um mundo dentro do mundo. São muitos milhões que gostam de vinho. Mas têm de o conhecer. Felizmente tem corrido bem connosco, mas o mercado português tem de mostrar-se mais, apostar na divulgação, nas feiras, nos roadshows”, disse ao PLATAFORMA Rui Cândido, da Quinta da Ribeirinha:

“É um dos mercados que trabalha mais connosco, o chinês. Estamos gratos e a aposta vai continuar a crescer, ainda este ano estivemos lá e vimos que há capacidade para crescer. Quando falo de nós, dos vinhos do Tejo, falo também de todo o universo vínico português”.

EXPORTAÇÕES A CRESCEREM

As exportações portuguesas de vinho para a China cresceram 9,55 por cento para 14,25 milhões de euros (US$16,28 milhões) em 2021, “uma recuperação, dado que em 2020 este mercado tinha decrescido”, avançou a associação ViniPortugal.

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O ano passado foi “altamente positivo”, com as exportações de vinhos portugueses para todo o mundo a aumentar 8,11 por cento, ultrapassando 925 milhões de euros, revelou a associação, que tem a seu cargo a promoção internacional da marca Vinhos de Portugal.

Num comunicado citado pela agência noticiosa portuguesa Lusa, o Presidente da ViniPortugal, Frederico Falcão, disse que as vendas cresceram em 2021 quase duas vezes mais do que em 2020, em parte graças a “um grande crescimento em novos mercados”, que incluem a China.

Em janeiro, o responsável disse ao jornal chinês Chengdu Business Daily que 10 produtores, de seis regiões vitivinícolas de Portugal, iam levar centenas de vinhos à China (Chengdu) Food and Drinks Fair, uma das maiores feiras alimentares do país, que teve lugar em março, sendo que para uma outra edição, neste caso em Xangai, em novembro, está planeado que ainda mais produtores viajem para a China.

E OS VINHOS CHINESES EM PORTUGAL?

Se o mercado do vinho português está cada vez mais a crescer na China, a verdade é que o inverso também está a acontecer e começou agora em 2022. Infelizmente para o comum consumidor, os primeiros vinhos que chegaram a Portugal são de alto valor e apresentam referências ‘inspiradas’ em França, com a designação Château.

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O vinho mais conhecido lançado na Europa, o Purple Air Comes from the East 2016 é um cabernet sauvignon e custa cerca de 180 euros a garrafa. Estará disponível no site vinha.pt e na distribuição da Martins Wine Advisor (MWA).

“Isto é resultado da mudança de hábitos de consumo em Portugal e da curiosidade por novos vinhos, mais irreverentes, bem como da necessidade que temos na MWA de estar sempre a par do melhor que se faz no mundo dos vinhos. A China tem-se afirmado como um novo polo produtor de vinhos e a procura por produtos da região tem aumentado de forma relevante”, referiu Cláudio Martins.

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