Chineses em Portugal manifestam-se contra visita de Pelosi a Taiwan por "Uma Única China" - Plataforma Media

Chineses em Portugal manifestam-se contra visita de Pelosi a Taiwan por “Uma Única China”

Foi marcada uma manifestação pacífica em frente à Embaixada dos Estados Unidos da América, em Lisboa. Será no dia 22 de agosto e visa condenar, de acordo com Y Ping Chow, presidente da Liga dos Chineses em Portugal, o clima de instabilidade que a política norte-americana criou ao chegar a Taiwan no passado dia 2 de agosto.

A visita de Nancy Pelosi a Taiwan, há duas semanas, continua a fazer correr muita tinta pelo mundo fora. Agora chegou a vez do mesmo acontecer em Portugal, concretamente a Liga dos Chineses que está a marcar uma manifestação contra a viagem da presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos da América, para dia 22 de agosto.

Y Ping Chow, presidente da associação, é quem está à frente desta manifestação e salientou as razões em comunicado. “Os subscritores e apoiantes desta manifestação querem exprimir livre e pacificamente o seu protesto pela visita da senhora Nancy Pelosi, na qualidade de presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, à província chinesa de Taiwan, a que a diplomacia chinesa se opôs legitimamente, porque à luz daquela resolução e dos acordos estabelecidos com os EUA, representa uma violação da soberania da China”, lê-se no pedido de manifestação feito às autoridades portuguesas, onde também é salientado que a mesma será “organizada, com slogans e bandeiras”.

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Em conversa com o PLATAFORMA, no entanto, o presidente da Liga dos Chineses foi um pouco mais longe nas razões que levaram a associação a avançar com este meio de protesto. “A viagem de Nancy Pelosi não criou apenas tensão na China e em Taiwan. Como é visto em todo o mundo, esta visita deixou o planeta todo em tensão, foi um criar de instabilidade que não era necessário”, começou por dizer Y Ping Chow, que pede agora mais serenidade.

“Neste momento o que não pode haver, no mundo, é ainda mais instabilidade. Há uma guerra neste momento que está a criar uma crise económica e juntar a isso ainda mais instabilidade é um erro. A visita de Nancy Pelosi a Taiwan criou isso mesmo e isso vai refletir-se, infelizmente, no comércio, nas trocas comerciais e quem vai perder é o povo e as empresas que tanto têm andado a lutar contra a crise económica derivada da guerra”, referiu um dos rostos principais da comunidade portuguesa em Portugal.

Ainda sem número concretos para dar sobre os elementos que marcarão presença na manifestação da próxima segunda-feira, Y Ping Chow acredita que a mesma terá relevância. “A única coisa que posso dizer neste momento é que temos várias presenças definidas, entre as associações chinesas e há ainda portugueses que também já revelaram a vontade em estar na manifestação pacífica. Não queremos, nem vamos, causar tumultos. Será apenas um gesto, uma forma de dizer que este tipo de tensões não são necessárias e são perfeitamente evitáveis”, concluiu o dirigente.

No comunicado divulgado e enviado ao presidente da Câmara de Lisboa e ao ministério da Administração Interna, durante o último fim de semana, Y Ping Chow, que o assina, salienta ainda que “esta visita provocou insegurança e conflito no estreito de Taiwan e na região, e afronta o consenso mundial estabelecido pelas Nações Unidas de não ingerência nos assuntos internos dos países”, dizem os proponentes. “O princípio de Uma Única China é a premissa e fundamento para o estabelecimento e desenvolvimento das relações diplomáticas entre a China e os EUA”, justifica ainda a organização, que, espera espera reunir mil pessoas no protesto, a realizar na segunda-feira, dia 22 de agosto, a partir das 16.00.

A visita de Nancy Pelosi

Nancy Pelosi foi assim o pilar da maior crise recente entre os Estados Unidos da América e a China, isto após a visita a Taiwan, no passado dia 2 de agosto.

Um encontro com o governo local que não durou sequer 24 horas, mas as suficientes para levantarem uma onda de críticas por parte da China e do governo de Xi Jinping.

“Este Governo dos EUA [de Joe Biden] prometeu repetidamente defender a política de uma só China e parar de apoiar a ‘independência de Taiwan’. No entanto, as ações e declarações recentes foram no caminho oposto dessas promessas. Qualquer tentativa injusta de reverter a história, tornar Taiwan um problema ou pôr em perigo a soberania e a integridade territorial da China está destinada ao fracasso e terá um preço a pagar”, leu-se num comunicado divulgado pelo governo de Xi Jinping após o encontro de Pelosi com os órgãos de Taiwan.

O governo chinês já havia manifestado que era contra a visita à Taiwan, que, refira-se, considera parte de seu território, e após a visita prometeu fortes retaliações. As primeiras vieram em forma de sanções, sendo que Pequim suspendeu importações de itens como frutas e produtos de pesca da ilha autónoma, além de paralisar as exportações de areia natural para Taiwan.

Posteriormente a essas medidas, e poucas horas após o avião de Nancy Pelosi ter abandonado Taiwan, a China programou uma séries de exercícios militarem em redor de Taiwan, naquele que é considerado um dos maiores exercícios bélicos (com fogo real) dos últimos 30 anos.

No entanto, Nancy Pelosi não se abalou com as ameaças chinesas e poucas horas após estas medidas, também ela prometeu apoio a Taiwan. “Não se enganem: os Estados Unidos permanecem inabaláveis no compromisso com o povo de Taiwan – agora e nas próximas décadas”, escreveu a presidente da Câmara dos Representantes nas suas redes sociais.

Personagem central deste ‘filme’, Nancy Pelosi tornou-se, em 2007, a primeira mulher a presidir à Câmara dos Estados Unidos, sendo que em 2019, e após alguns anos de ausência, voltou ao mesmo cargo. Descrita como “ícone do poder feminino” nos Estados Unidos e nome proeminente do Partido Democrata, Pelosi tem 82 anos e é a segunda na linha de sucessão de Joe Biden, após Kamala Harris.

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