Presidente de Cabo Verde quer "novos caminhos" nas relações com Portugal - Plataforma Media

Presidente de Cabo Verde quer “novos caminhos” nas relações com Portugal

O Presidente cabo-verdiano, José Maria Neves, classificou hoje as relações com Portugal de “excelentes e consolidadas”, mas disse que quer acrescentar “novos caminhos”, envolvendo atores não-estatais, ao antecipar a sua primeira visita de Estado ao país.

“As relações com Portugal são excelentes, são já relações consolidadas e que abrangem todos os domínios da governação e do desenvolvimento do país. Nós queremos é acrescentar e trazer às relações entre os dois países novos caminhos, novas dinâmicas”, disse José Maria Neves, na cidade da Praia, antes de viajar para Portugal, onde inicia na quinta-feira a sua primeira visita de Estado desde que foi eleito, em outubro passado.

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O chefe de Estado defendeu que é possível convocar os atores não estatais, como as fundações, as universidades ou as organizações não-governamentais (ONG), para “redinamizar” as relações e “enriquecer” esse relacionamento entre os dois países.

“Na verdade, as empresas, as universidades, as ONG, as pessoas, muitas vezes acabam por estar à frente do Estado e podem trazer novas oportunidades para reforço das relações de amizade e de cooperação entre os nossos dois países, que já são excelentes, mas criando novos espaços de ação entre Cabo Verde e Portugal”, reforçou.

Na sexta-feira, José Maria Neves, juntamente com o Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, e o homólogo de São Tomé e Príncipe, Carlos Vila Nova, são oradores no “Diálogo entre Presidentes”, no âmbito da edição de 2022 do EurAfrican Fórum, um diálogo global promovido anualmente pelo Conselho da Diáspora Portuguesa para estreitar os laços entre a Europa e a África.

O Presidente cabo-verdiano disse que o encontro permitirá abordar sobretudo o contributo da diáspora para o desenvolvimento desses países, funcionando como um “fermento” para acelerar o passo, romper com determinadas práticas, criar novos hábitos e acelerar o desenvolvimento.

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“Cabo Verde é um Estado diasporizado, transnacional. Devemos considerar o importante papel que a diáspora pode desempenhar no desenvolvimento de Cabo Verde. A diáspora não é só remessa financeira, pode trazer muito para Cabo Verde e pode apoiar-nos no aceleramento do nosso processo de desenvolvimento, através de remessas de ideias, contribuindo para o desenvolvimento da educação, da saúde, para sofisticação da nossa administração pública”, acrescentou.

José Maria Neves inicia a visita, na quinta-feira, ao reunir-se com o homólogo português no Palácio de Belém, em Lisboa, num “encontro restrito”, ao que se seguirá uma reunião entre as delegações dos dois países.

Antes, o Presidente cabo-verdiano vai ainda colocar uma coroa de flores no túmulo de Luís de Camões, no Mosteiro dos Jerónimos, e no mesmo dia será ainda recebido na Assembleia da República, pelo presidente do parlamento, Augusto Santos Silva. Mais tarde, ainda na quinta-feira, José Maria Neves receberá as chaves da cidade de Lisboa, em sessão solene na Câmara Municipal.

O chefe de Estado cabo-verdiano visitará ainda a sede da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP), em Lisboa, e endereçará uma mensagem ao Comité de Concertação Permanente, que se reunirá em sessão extraordinária.

Segundo informações enviadas na terça-feira pela Presidência da República, a visita acontece a convite do Presidente da República de Portugal, sendo o chefe de Estado cabo-verdiano acompanhado pelos ministros dos Negócios Estrangeiros e Integração Regional, Rui Figueiredo Soares, e das Comunidades, Jorge Santos, bem como pelo presidente da Associação Nacional dos Municípios Cabo-verdianos, Herménio Fernandes.

José Maria Neves, eleito em outubro de 2022 e primeiro-ministro de Cabo Verde de 2001 a 2016, vai ser acompanhado pela primeira-dama, Débora Carvalho.

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Da agenda da visita do Presidente cabo-verdiano contam-se ainda encontros com os presidentes das câmaras municipais portuguesas geminadas com autarquias cabo-verdianas, para além de uma visita ao Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE) e à Universidade do Algarve.

“Nesta visita de Estado, o Presidente da República dedica uma parte importante da sua agenda ao seu propósito de uma maior proximidade à vasta Diáspora cabo-verdiana. Neste âmbito, terá um encontro com a comunidade no Algarve/Loulé e na Amadora. Participará ainda nas festividades de Nhu Santiago, em Oeiras”, indicou uma nota da Presidência.

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