Mercado imobiliário de Hong Kong empurra jovens para a Grande Baía - Plataforma Media

Mercado imobiliário de Hong Kong empurra jovens para a Grande Baía

Os preços das casas em Hong Kong aumentaram 140 por cento desde 1997 e 582 por cento desde o ponto mais baixo após a transferência de soberania, em 2003. Esse crescimento fez com que muita da procura, que ainda hoje se observa, não tenha resposta no mercado local. Vendo os números, uma família precisaria, em média, de poupar durante 23,2 anos sem gastar um único dólar para ter uma casa na cidade. Os dados foram divulgados pelo Demographia International Housing Affordability Study de 2022, que calculou a acessibilidade baseada nos preços medianos das casas e rendimentos das famílias. Mais uma vez, Hong Kong manteve-se como o mercado imobiliário menos acessível – lugar que ocupa há 12 anos.

Tal como os quatro líderes que vieram antes dele, o Chefe do Executivo eleito, John Lee, identificou a habitação como “prioridade máxima entre as prioridades”. A sua proposta inclui a criação de novos grupos de trabalho para supervisionar a oferta de habitação pública e terrenos a serem geridos por ministros. Porém, a tarefa não é fácil e em declarações ao South China Morning Post, alguns jovens de Hong Kong dizem não estar dispostos a esperar. Um deles é Stanley Lee, de 28 anos, que procura opções mais baratas e com mais espaço noutras cidades da Grande Baía. O jovem explica que “é mais realista comprar uma casa com 100 metros quadrados em Dongguan do que em Hong Kong”. Uma casa de 100 metros quadrados em Dongguan, a norte de Shenzhen, vende-se entre os dois a três milhões de yuan, ou seja, 294.000 a 442.000 HKD. Em Hong Kong, o equivalente custaria 2,85 milhões de dólares, mesmo nos Novos Territórios – relativamente mais acessíveis -, revelam os dados do Departamento de Classificação e Avaliação do Governo de Hong Kong. “As casas privadas mais recentes são demasiado caras para nós”, refere, acrescentando ao jornal que espera que o novo Executivo “aumente a oferta de habitação pública e melhore o Plano de Aquisição de Casa para jovens” como ele.

Outro jovem ouvido pelo South China Morning Post, fundador de uma empresa start-up que desenvolve soluções inteligentes de transporte no Parque Científico de Hong Kong, diz que planeia expandir a empresa Qianhai, em Shenzhen: “A longo prazo, ter alojamento lá será provavelmente o meu plano”.

A Land Power esteve entre as primeiras agências imobiliárias a comercializar casas além fronteiras para residentes de Hong Kong, no início dos anos 90. Nessa altura, reformados ou clientes entre os 40 e os 50 anos eram os principais compradores. O antigo presidente da empresa, Michael Choi, diz que hoje é mais difícil para os jovens terem casa em Hong Kong. “Parece mais fácil no Continente”, reitera ao jornal, explicando que entretanto o ambiente e qualidade de vida na Grande Baía “não são muito diferentes de Hong Kong”. Choi considera que as cidades do Continente vão ser mais apelativas para os jovens, até mesmo para licenciados em Hong Kong, ao contrário do que se passava há 20 anos.

A Área da Grande Baía engloba Hong Kong, Macau e nove cidades chinesas no Delta do Rio das Pérolas, nomeadamente Guangzhou, Shenzhen, Zhuhai, Foshan, Zhongshan, Dongguan, Huizhou, Jiangmen e Zhaoqing. Um dos grandes objetivos é criar infraestruturas capazes de encurtar as viagens entre cidades, tendo como missão criar um círculo de uma hora de viagem entre cada uma delas, motivando um êxodo que até há pouco tempo não era considerado.

“Apesar dos esforços de vários chefes do executivo, os preços das casas em Hong Kong ainda não veem sinais significativos de abrandamento dada a escassez de fornecimento de terrenos, reduções no objetivo de unidades habitacionais privadas e fornecimento em segunda mão”, disse Lau Chun-kong, diretor-geral da Colliers Hong Kong.

Aquando da transferência de soberania, atingiu-se um nível recorde nos preços das casas. O índice de preços das habitações públicas atingiu 172 por cento em junho de 1997, tendo disparado para 900, contra 17,2 em 1984.

No entanto, apenas três meses após a tomada de posse do primeiro Chefe do Executivo de Hong Kong, Tung Chee-hwa, o índice mergulhou, caindo 65 por cento até julho de 2003 – consequência da crise financeira asiática, o surto de síndrome respiratória aguda grave e a proposta maciça de Tung de fornecimento de habitação, apelidada de “85.000 policy”.

Os preços começaram então a subir, na sua maioria de forma constante, após a introdução em 2003 do Esquema de Visitas Individuais (Individual Visit Scheme), que deu origem a um afluxo de compradores do Continente.

A média anual do índice continuou a subir durante a crise financeira de 2008 e mesmo com a COVID-19 apenas abrandou em 0,5 por cento entre 2019 e 2020.

“Quando a reserva de terras é ampla, o Governo está então em posição de utilizar a oferta como instrumento para regular o mercado de forma mais eficaz”, disse ao Mornin Post Nelson Wong, chefe de investigação da JLL na Grande China.

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