Foi chefe de gabinete do primeiro-ministro, António Costa, até outubro de 2018 e em março de 2019 foi escolhida como nova presidente do conselho de administração e do conselho executivo da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD).
Formada em Direito na Clássica, em Lisboa, passou por direções-gerais do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Justiça e Administração Interna. É nos Assuntos Europeus, área em que se pós-graduou na Católica, que mais tem trabalhado.
Agora com 57 anos, enquanto presidente da FLAD, tem como foco central os Estados Unidos e as relações com Portugal e pede um 4 de Julho com “união”.
Começamos pela guerra. Como é que perspetiva o impacto de tudo o que está a acontecer na economia global?
Com preocupação, naturalmente. Acho que depois da pandemia, que foi uma enorme disrupção da economia global e dos canais de distribuição, ainda temos esta situação de guerra que acrescenta nova complicação. E além de uma nova complicação, acrescenta sobretudo grande incerteza, porque ninguém sabe qual vai ser o desfecho da guerra e os mercados não apreciam esta incerteza. A isso tudo temos de juntar a inflação a subir e o aumento do custo de vida e as dificuldades que isso traz para as famílias e para as pessoas.

Temos assistido a uma frente unida no Ocidente. A questão económica pode ser aquela que vai espoletar algumas cisões nessa unidade?
Espero que não, mas vai tudo depender de quanto tempo a guerra durar, de como estaremos no próximo inverno, de como estará a situação de abastecimento de gás e petróleo na Europa. Veremos se isso é suficiente para fazer quebrar a solidariedade europeia, mas espero que não e acho que não. Mas reconheço que será um momento muito difícil, especialmente para vários países que dependem muito do gás que vem da Rússia e que podem ter invernos pesados. Isto pode tornar muito complicado gerir as expectativas das populações, sobretudo se não houver alternativas que também não são fáceis de obter. Tudo o que tem a ver com energia, transporte e armazenamento, muitas vezes requer a construção de novas infraestruturas e isso leva tempo.
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