A urna com o corpo do ex-presidente são-tomense, Evaristo Carvalho chegou ontem a São Tomé e está em câmara ardente na Assembleia Nacional, após cortejo fúnebre testemunhado por familiares, membros de órgãos de soberania e vários populares
A urna com o corpo do ex-chefe de Estado foi transportada no voo da TAP que aterrou no Aeroporto Internacional de São Tomé às 18h10 minutos (mais 1 hora em Lisboa), seguindo-se o protocolo sanitário pelas autoridades da saúde.
Membros dos órgãos de soberania e centenas de populares acompanharam a família e deram uma forte salva de palmas no momento em que o urna deixou o aeroporto cerca das 19 horas, com destino a Assembleia Nacional.
“Fica um legado de uma pessoa que tem um senso de responsabilidade, um homem de caráter, um grande estadista, alguém que passa um exemplo de unidade e de pouco conflito. É uma pessoa que está para aconselhar, apaziguar e consegui fazer o seu mandato de forma que não permitiu grandes situações de conflito no seio da governação e também do país e isso para nós é um grande legado e é um grande exemplo de homem”, disse uma cidadã à Lusa.
Após um percurso de cerca de 20 minutos, a urna chegou ao Palácio dos Congressos, sede do parlamento são-tomense onde também foi recebido com fortes aplausos pelos presentes que vestiam t-shirts brancas estampadas com o rosto do ex-presidente são-tomense.
A urna foi carrega por elementos das forças armadas até ao salão nobre da Assembleia Nacional, onde o Presidente da República, Carlos Vila Nova fez a deposição de uma coroa de flores.
“O ex-presidente Evaristo Carvalho foi uma pessoa muito especial em São Tomé e Príncipe, então em homenagem todos nós estamos cá com respeito a mostrar a nossa solidariedade ao nosso ex-presidente que deixa o legado de respeito que teve a todos os são-tomenses” comentou o cidadão, Bruciley Bonfim.
Várias autoridades testemunharam o momento, incluindo o presidente do parlamento são-tomense, Delfim Neves.
“O Evaristo deixa um vazio, um espaço aberto que dificilmente vamos ocupar”, comento o presidente do parlamento quando deixava o salão nobre depois de apresentar cumprimentos a família do ex-presidente da república.
O primeiro-ministro Jorge Bom Jesus considerou que “é um momento bastante difícil para toda a Nação são-tomense” por tratar-se de “uma perda mesmo irreparável”.
“É alguém que nos vai deixar muita falta, mas enfim, são momento difíceis e a Nação está com a família e vamos acompanhar estes momentos difíceis que acabam por ser também momento de unidade nacional, de coesão social e nacional”, disse Jorge Bom Jesus.
“Sempre foi seu desejo terminar na sua terra, mas não foi possível, mas ao chegar vai repousar na terra que o viu nascer”, disse à Lusa o filho mais velho do ex-chefe de Estado.
Fernando Olavo realçou que o seu pais “sempre deu todo de si, sempre esteve atento para família como conselheiro, mas a sua missão principal durante toda a sua vida dedicou ao serviço do país tanto na administração como na política”.
“O principal legado que deixa a São Tomé e Príncipe é o seu exemplo, a sua atitude como um homem de muita retidão, sempre disponível para levar a bom termo os problemas que o país tem, mas sempre em diálogo para encontra equilíbrio para a resolução dos problemas de São Tomé e Príncipe”, acrescentou.
O filho do ex-presidente são-tomense partilhou um dos últimos momentos de conversar que teve com o seu pai, revelando que ele “morreu a pensar no país, muito preocupado”.
“Mesmo nos instantes finais, com toda essa debilidade, ele, de acordo com essa situação atual do país e do mundo, ele estava muito preocupado e disse “meu povo está a sofrer, mas essa situação toda a gente tem que enfrentar”, revelou Fernando Olavo.
Segundo o programa de velório e das exéquias fúnebres divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros a urna com o corpo do ex-presidente permanecerá em câmara ardente no Palácio dos Congressos, até às 11:30 de sábado.
Na sexta-feira prevê-se a assinatura do livro de condolências pelos titulares dos órgãos de soberania e o embaixador da Guiné Equatorial, na qualidade de decanos dos embaixadores acreditados em São Tomé e Príncipe.
No sábado, haverá sessão solene às 10:00 na Assembleia Nacional, seguido do cortejo fúnebre, missa de corpo presente na Igreja da Sé Catedral, seguindo-se com o cortejo fúnebre a Santana e regressando depois ao cemitério do Alto de São João, às 15:00, onde irá decorrer homenagens antes do enterro previsto para as 15:30.
O antigo chefe de Estado são-tomense estava internado num hospital em Lisboa e morreu cerca das 22:00 de sábado.
Eleito Presidente de São Tomé e Príncipe em 18 de julho de 2016, Evaristo Carvalho exerceu o mandato até 02 de outubro de 2021, quando lhe sucedeu Carlos Vila Nova.
Pai de 25 filhos, Evaristo Carvalho era um histórico da política são-tomense, tendo sido, por duas ocasiões, primeiro-ministro em governos de iniciativa presidencial e presidente da Assembleia Nacional.
Técnico de agricultura, Evaristo Carvalho começou por ser um quadro do partido único – Movimento para a Libertação de São Tomé e Príncipe – Partido Social Democrata (MLSTP-PSD) – após a independência e até ao início do multipartidarismo, na década de 1990.
Foi chefe de gabinete de Miguel Trovoada quando este foi Presidente da República e aderiu à Ação Democrática Independente (ADI), partido hoje liderado pelo filho daquele e antigo primeiro-ministro, Patrice Trovoada.