A empresa Ncondezi Energy anunciou que está a ponderar a construção de um projeto de energia solar, a juntar a uma central elétrica a carvão, na província de Tete, no centro de Moçambique
Num comunicado divulgado na segunda-feira, a Ncondezi diz que estudos preliminares “confirmam” que a área onde a empresa quer também desenvolver uma mina de carvão tem “condições solares favoráveis”.
O diretor executivo da Ncondezi, Hanno Pengilly, disse que “há um forte potencial” para fornecer eletricidade à rede nacional de Moçambique “sem comprometer” o desenvolvimento do “projeto principal”.
Quanto à central elétrica a carvão, Pengilly disse que a Ncondezi “continua a trabalhar” com o grupo estatal chinês China Machinery Engineering Corporation (CMEC) para “obter mais clarificações sobre o financiamento”.
Em janeiro, a empresa admitiu que a parceria com a CMEC poderia ser comprometida pelo anúncio feito pelo presidente chinês Xi Jinping, em setembro de 2021, que a China iria deixar de construir centrais a carvão no estrangeiro.
O grupo chinês tinha conseguido o contrato de engenharia, aquisição e construção da central com capacidade para produzir, numa fase inicial, 300 megawatts de energia.
A CMEC estava em negociações com as autoridades e bancos da China sobre várias propostas para financiar a central, disse o diretor de projeto, Zhang Daguang, num comunicado divulgado em 23 de agosto.
O arranque das operações da central estava inicialmente previsto para 2023, com planos para eventualmente atingir uma produção de 1.800 megawatts permitindo assim a exportação de energia para a África do Sul e Zimbabué.
De acordo com dados oficiais, atualmente apenas 34 por cento dos cerca de 30 milhões de moçambicanos têm acesso a energia elétrica.
Em março de 2021, o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, defendeu o acesso à energia elétrica para toda a população nos próximos dez anos. Uma meta que será mais fácil com o arranque do projeto em Tete, sublinhou a Ncondezi.
A empresa garante que a central a carvão usará tecnologia “de ponta” para reduzir as emissões poluentes e o impacto ambiental.
Em maio de 2021, um relatório da Agência Internacional de Energia avisava que só a suspensão total de todos os novos projetos de centrais elétricas alimentadas a carvão ou outros combustíveis fósseis permitiria ao mundo cumprir as metas acordadas em Paris em 2015.
Segundo dados do portal financeiro Refinitiv Eikon, a China é a responsável pelo financiamento de 71,9 por cento de todas as novas centrais elétricas a carvão atualmente em construção.
A Ncondezi tem a Africa Finance Corporation (19,48 por cento) e a empresa polaca Polenergia (10,31 por cento) entre os acionistas de referência, sendo os parceiros estratégicos do projeto a CMEC e a norte-americana General Electric.