Programa europeu apoia captura de carbono em Timor-Leste

Programa europeu apoia captura de carbono em Timor-Leste

O embaixador da União Europeia em Timor-Leste lançou hoje uma nova iniciativa que visa promover a reflorestação em vários pontos do país para capturar carbono, com um investimento europeu de 2,7 milhões de euros

“O Rai Matak é um programa importante, que representa uma contribuição financeira de mais de três milhões de dólares, a maior subvenção que é gerida diretamente pela União Europeia em Timor-Leste”, referiu Andrew Jacobs no lançamento do programa.

“Isto demonstra o compromisso da União Europeia em apoiar Timor-Leste e o seu povo no combate aos efeitos negativos das alterações climáticas, na preservação das florestas e da biodiversidade e na geração de rendimento nas comunidades rurais”, explicou.

A cerimónia contou com a presença, entre outros, do secretário de Estado do Ambiente, Demétrio Carvalho, e do patrono do WithOneSeed, o ex-Presidente José Ramos-Horta.

O programa, conhecido como Rai Matak (Terras Verdes, em tétum), foi lançado por Andrew Jacobs e vários responsáveis timorenses no suco (divisão administrativa) de Lalawa, próximo de Iliomar, no sul do país.

A iniciativa resulta de uma parceria entre a Fundação Ho Musan Ida, a Fundação Xpand e a Oxfam Timor-Leste e prevê a captação de carbono em várias localidades do país recorrendo ao modelo da WithOneSeed/Ho Musan Ida, desenvolvido com êxito no passado.

Baguia, liderado por Leopoldina Joana Guterres, atual diretora da Fundação Rai Matak e que já foi premiada pelo Estado timorense.

No caso de Baguia, o projeto “transformou uma comunidade”, recordou Jacobs, explicando que os agricultores da zona “têm uma boa e fiável fonte de rendimento”, garantindo condições de vida para as famílias e, ao mesmo tempo, ajudando a proteger a floresta.

Esse projeto pioneiro envolve quase mil agricultores, no modelo de agricultura comunitária, e que gerem cerca de 220.000 árvores, permitindo vender 45 mil créditos de carbono no mercado internacional o que representou receitas de cerca de meio milhão de dólares (448 mil euros) desde 2010.

“Os créditos de carbono representam reduções verificáveis de emissões de projetos certificados de ação climática. Estes projetos reduzem ou eliminam as emissões de gases com efeito de estufa. É o caso de projetos que crescem e mantêm árvores”, notou Jacobs.

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A UE quer basear-se no êxito de Baguia, “procurando levar benefícios de captura de carbono a outras comunidades”, tendo para isso levado a cabo um mapeamento que identificou quatro zonas onde o projeto pode ser implementado.

Além da zona perto de Iliomar, Covalima, os projetos serão implementados em Liquiçá, Baucau, Viqueque e Lospalos.

Leopoldina Guterres referiu que a Rai Matak vai trabalhar em estreita colaboração com as estruturas de implementação nos novos locais para reforçar a capacidades dos agricultores locais.

“Trabalharemos em conjunto para identificar novas áreas de plantação de árvores que serão elegíveis para certificação de crédito de carbono pela Gold Standard. Isto abrirá o caminho para que a Fundação Rai Matak, dirigida por timorenses, possa promover o crédito ao carbono de Timor-Leste para o mundo”, frisou.

Guterres explicou que o projeto permitirá criar empresas sociais viáveis em vários domínios e, assim, fomentar a economia sustentável, além de melhorias na educação e na segurança alimentar e hídrica.

Ao mesmo tempo reforçará as “relações nacionais em Timor-Leste, através da produção de várias organizações comunitárias que trabalham num programa semelhante e da troca de ideias e experiências”, o que “ajudará a curar as feridas e os traumas do passado”, acrescentou.

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