Início » Missão europeia defende presença de militares em Cabo Delgado

Missão europeia defende presença de militares em Cabo Delgado

Lusa

O vice-almirante responsável pela missão da União Europeia em Moçambique defendeu uma alteração do mandato para permitir a presença dos militares europeus em Cabo Delgado, palco de insurgência armada

O vice-almirante Hervé Bléjean, diretor da Capacidade Militar de Planeamento e Condução da missão militar da UE (EUTM) em Moçambique, manifestou frustração perante os eurodeputados da subcomissão de Segurança e Defesa do Parlamento Europeu, durante uma audição esta quarta-feira.

“A situação de segurança permanece estável, sem grandes desafios para as atividades da EUTM, que é, recordo-vos, muito fora da província de Cabo Delgado”, comentou.

A missão da EUTM está em Katembe, margem sul da baía de Maputo, junto à capital, e no Chimoio (centro de Moçambique).

Sobre este aspeto, o vice-almirante expressou frustração sobre a ausência dos militares europeus da zona do conflito.

“Atualmente o mandato que temos exclui aconselhamento estratégico, ao contrário do que fazemos noutros locais. A nossa capacidade de perceber realmente a natureza e eficácia das operações em Cabo Delgado é limitada e temos de encontrar outros meios, uma vez que não temos autorização para irmos lá”, comentou.

“O Presidente [moçambicano, Filipe Nyusi] disse-me com um grande sorriso: ‘vocês os soldados não querem ir lá, eu vou lá na próxima semana, os deputados vão lá, os embaixadores vão lá’”, afirmou, mencionando que “a imagem não é muito boa para os soldados, que podem ser acusados de ser menos corajosos que outros”.

Leia também: Cimeira da SADC para debater missão militar em Cabo Delgado

“É no nosso interesse termos a possibilidade de viajarmos para lá”, sublinhou.

Durante a audição, o vice-almirante Hervé Bléjean afirmou que “a situação de segurança na província de Cabo Delgado melhorou consideravelmente”

“Estou a falar da situação de segurança, mas ainda não da situação humanitária”, ressalvou, salvaguardando que, “apesar de desenvolvimentos positivos, a situação requer uma atenção especial, uma vez que a insurreição tende a diluir e a alastrar não só às províncias vizinhas, especialmente Niassa, mas também à Tanzânia”.

Aquela que é a primeira missão militar da UE em Moçambique, dedicada a treinar tropas para enfrentar a insurgência armada em Cabo Delgado, arrancou no início de novembro passado e é comandada por Hervé Bléjean e, no terreno, a direção operacional cabe ao brigadeiro-general português Nuno Lemos Pires.

A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

O conflito já provocou mais de 3.100 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED, e mais de 817 mil deslocados, de acordo com as autoridades moçambicanas.

Desde julho de 2021, uma ofensiva das tropas governamentais com apoio do Ruanda a que se juntou depois a Comunidade do Desenvolvimento da África Austral (SADC) permitiu recuperar várias zonas ocupadas, mas continua a haver confrontos pontuais que em dezembro alastraram para a província do Niassa.

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!

Uh-oh! It looks like you're using an ad blocker.

Our website relies on ads to provide free content and sustain our operations. By turning off your ad blocker, you help support us and ensure we can continue offering valuable content without any cost to you.

We truly appreciate your understanding and support. Thank you for considering disabling your ad blocker for this website