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Seca deixa famílias iraquianas à beira da crise alimentar

AFP

Metade das famílias radicadas na regiões do Iraque atingidas pela seca precisa de ajuda alimentar, alertou o Conselho Norueguês de Refugiados (CNR) em estudo divulgado hoje

A seca está a deixar famílias iraquianas com fome. O CNR destacou que, segundo sua investigação, “uma em cada duas famílias nas regiões afetadas pela seca requer a assistência de alimentos, enquanto uma em cada cinco famílias não tem comida suficiente para todos os integrantes da família”.

Especialistas têm destacado que a redução das chuvas, agravada pelas mudanças climáticas, ameaça criar um desastre social e econômico no Iraque.

A ONG baseou seu estudo em entrevistas em 2.806 lares de sete províncias, inclusive Anbar no oeste, Basra no sul e Nínive no norte.

Estas três províncias foram consideradas tradicionalmente a despensa do Iraque, mas têm sido afetadas duramente pela crise.

Segundo a ONU, um terço da população iraquiana vive na pobreza, apesar de o país ser rico em petróleo.

Os efeitos da seca foram exacerbados porque os níveis dos dois principais rios do país, o Tigre e o Eufrates, baixaram devido a represas nos vizinhos Irão e Turquia.

“Comunidades ao longo do Iraque têm enfrentado grandes perdas de seus cultivos, gado e renda. As crianças comem menos e agricultores e populações deslocadas são os mais afetados”, destacou o informe.

O CNR informou que 37% dos produtores de trigo e 30% dos que semeiam cevada tiveram quedas de até 90% em suas colheitas.

“As famílias nos dizem que têm que pedir dinheiro emprestado para comer com os altos preços e suas escassas economias”, disse Maithree Abeyrathna, chefe de programas do CNR no Iraque.

“Dizem que sua única fonte de renda está desaparecendo diante dos seus olhos. Suas terras secam e não há nada que possam fazer a respeito”, acrescentou.

Leia também: 274 milhões de pessoas no mundo vão precisar de ajuda humanitária

O Banco Mundial alertou em novembro que o Iraque poderia sofrer uma queda de 20% em seus recursos hídricos até 2050 pelas mudanças climáticas.

“A perspectiva para 2022 é preocupante, com mais escassez de água e condições de seca que poderiam devastar a próxima temporada agrícola”, alertou o informe.

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