As vacinas existentes contra a Covid-19 provavelmente são eficazes na prevenção de doenças graves e de internações causadas pela variante ômicron do coronavírus recentemente identificada, disse nesta segunda-feira um dos maiores especialistas em doenças infecciosas da África do Sul.
O professor Salim Abdool Karim, que atuou como principal conselheiro do governo sul-africano durante a resposta inicial à pandemia, também disse que era muito cedo para dizer se a ômicron levava a sintomas clínicos mais graves do que as variantes anteriores.
No entanto, ela parece mais transmissível e com maior probabilidade de infectar pessoas com imunidade após vacinação ou infecção anterior.
“Com base no que sabemos e como as outras variantes de preocupação reagiram à imunidade da vacina, podemos esperar que ainda veremos alta eficácia para a hospitalização e doença grave, e que a proteção das vacinas provavelmente permanecerá forte”, disse Abdool Karim em uma entrevista coletiva.
A prevenção de doenças graves é principalmente uma função das células T, que tem uma imunidade diferente da dos anticorpos, muitas vezes responsáveis por impedir infecções, “portanto, mesmo que haja alguma fuga dos anticorpos, é muito difícil escapar da imunidade às células T”, disse ele.
A descoberta da variante no sul do continente africano causou uma forte reação global, com países limitando as viagens da região e impondo outras restrições por medo de que ela pudesse se espalhar rapidamente, mesmo em populações vacinadas.
Em Genebra, a Organização Mundial da Saúde (OMS) disse na segunda-feira que a variante representava um risco global muito alto de surtos de infecção, embora fossem necessárias mais pesquisas para avaliar seu potencial para escapar da proteção contra a imunidade induzida por vacinas e por infecções anteriores.
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