História do Grande Prémio de Macau continua ininterrupta - Plataforma Media

História do Grande Prémio de Macau continua ininterrupta

O segredo é a dedicação dos residentes locais, pois estes “têm sido parte integrante” do sucesso contínuo da prova. De mãos dadas com a cidade, são 68 anos de desenvolvimento e crescimento conjunto. Em mais um ano de corridas à sombra da pandemia, o Grande Prémio de Macau continua a fazer história de forma ininterrupta, sem nunca ter abandonado o compromisso com os apaixonados do desporto motorizado, diz o presidente do Instituto do Desporto e coordenador da Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau (COGPM), Pun Weng Kun, em entrevista ao PLATAFORMA. 

– Este ano, o Grande Prémio de Macau celebra o seu 68º aniversário. Qual é o balanço até agora? 

Pun Weng Kun – Todos os preparativos estão a avançar conforme o calendário, e a Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau espera uma edição de sucesso.  

As ruas da cidade dão vida ao circuito; que é único em todo o mundo. 

– A cidade cresceu e desenvolveu-se, e o circuito também. Qual é o papel da cidade nesta competição? 

P.W.K. – Desde o primeiro Grande Prémio de Macau em 1954, até hoje, a cidade e os seus residentes têm sido parte integrante do sucesso e do crescimento do evento. O Grande Prémio de Macau é inteiramente organizado por residentes locais. Centenas de membros qualificados e dedicados na comunidade voluntariam-se todos os anos, disponibilizando o seu tempo e perícia para a organização do evento. As ruas da cidade dão vida ao circuito; que é único em todo o mundo. As empresas e organizações comunitárias locais apoiam o evento de inúmeras formas.  Em grande parte, a realização do Grande Prémio é um feito da cidade. 

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É também um circuito de rua completamente autêntico em todos os sentidos: 100 por cento da pista é utilizada como via pública durante o resto do ano. 

– Quais são as razões que fazem deste circuito um dos mais emocionantes em todo o mundo? 

P.W.K. – O Circuito da Guia proporciona o derradeiro teste de desporto motorizado para qualquer concorrente. Abrange retas longas e velozes, elevações e algumas das curvas mais apertadas do mundo, sem dar margem para erros.  Para se ser bem-sucedido, um concorrente deve ser preciso e rápido. A satisfação de combinar com sucesso as duas características a um grau tão extremo tem sido o ponto alto de muitas carreiras de desporto motorizado. Além disso, é também um circuito de rua completamente autêntico em todos os sentidos: 100 por cento da pista é utilizada como via pública durante o resto do ano. 

Ao longo da sua história, o Grande Prémio de Macau tem sido uma força motriz no desenvolvimento do desporto automóvel na Ásia. 

– Com o ano passado em mente, quais são as mudanças que podemos esperar para esta próxima edição? 

P.W.K. – Ao longo da sua história, o Grande Prémio de Macau tem sido uma força motriz no desenvolvimento do desporto automóvel na Ásia. É uma inspiração para as equipas e os condutores, bem como uma plataforma para os talentos regionais. No ano passado, o Grande Prémio de Macau teve o orgulho de mostrar as luzes da ribalta aos jovens talentos mais fascinantes entre as sempre crescentes fileiras de atletas de desporto motorizado da China. Tal como nos anos anteriores, em 2020 realizámos corridas para pilotos juniores, carros GT e carros de turismo. Este ano, temos o prazer de proporcionar novamente um programa de corridas emocionante aos nossos residentes e fãs do desporto motorizado. 

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– É difícil planear com a pandemia de Covid-19? Quais são os maiores desafios? 

P.W.K. – Apesar dos desafios globais, como a restrição das viagens internacionais, a Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau congratula-se por, com o apoio da cidade e dos seus residentes, a longa e distinta herança do evento continuar, sem interrupções. Todas as precauções foram tomadas e estão a ter continuidade, para garantir a segurança da comunidade local, ao mesmo tempo que se continua a mostrar a cidade e o evento a uma audiência internacional de milhões de pessoas, através de transmissões em direto e de streaming

– Quantos bilhetes já foram vendidos?

P.W.K. – Cerca de 60 por cento. E ainda temos vários pedidos do continente. Estamos otimistas.

– Há alguma coisa em particular que queira dizer aos fãs? 

P.W.K. – Gostaríamos de dizer aos fãs que estamos extremamente orgulhosos de, juntamente com o seu apoio, estarmos a preservar o rico património deste prestigioso evento, e a continuar a sua longa e distinta história. 

E que “rico património” é…  

Realizado pela primeira vez em outubro de 1954, como uma corrida para amantes locais do desporto automóvel, o Grande Prémio de Macau veio a transformar-se naquele que muitos consideram a melhor prova em circuito urbano do mundo.  

A primeira edição contou com apenas 15 participantes e, nessa altura, o circuito deixava muito a desejar. Segundo os comissários, “a parte interior do circuito era muito má – suja e com areia solta”. Mas a mudança deu-se logo no ano seguinte, durante a Primavera e início do Verão, quando a totalidade da parte interior do circuito foi encerrada ao trânsito para que os seus velhos paralelepípedos fossem retirados e substituídos por asfalto. No terceiro Grande Prémio, em 1956, testemunhou-se a construção da bancada central em betão, que englobava 10 “boxes” e uma lotação para 300 pessoas. Dois anos depois, o circuito da Guia assumia a sua extensão atual de 6,2 km, ao mesmo tempo que lançava o Troféu ACP. Um total de 31 carros, o maior contingente até àquela data, participaram na prova, que foi reduzida para 60 voltas para evitar o brilho do pôr do Sol.

Em 1959, o Grande Prémio passou a ter sessões de treinos oficiais pela primeira vez. Ron Hardwick, de Hong Kong, assumiu o comando da prova, mas a bandeira vermelha foi mostrada quando uma ponte para peões construída em aço caiu, ferindo 21 espetadores. No ano seguinte, em 1960, o evento integra o calendário internacional de provas automobilísticas na qualidade de “corrida nacional com participação estrangeira”, sendo, também pela primeira vez, realizado de acordo com os regulamentos da FIA relativos a automóveis de desporto e grande turismo. Seis anos depois, em 1966, a prova já tinha chegado ao continente europeu e, pela primeira vez, um piloto “importado”, o italiano Mauro Bianchi, venceu a prova.

Um ano mais tarde, o Grande Prémio de Macau trouxe à cidade a primeira edição em motas. Foi neste ano que também se registou a primeira fatalidade, quando o carro pilotado pelo favorito Dodgie Laurel embateu e se incendiou. Acelerando até 1979, a corrida de motos foi realizada, pela primeira vez, em duas mangas de 15 voltas cada uma. Em 1980, o Grande Prémio foi denominado como o primeiro Campeonato de Fórmula Pacífico. Sadeo Asami fez história ao vencer o 14º Grande Prémio de Macau de Motas, tornando-se no único piloto a vencer a mesma prova três anos consecutivos.

A 30ª edição do evento, em 1983, foi outro marco importante para a prova, ao ser nomeada como Taça do Mundo de Fórmula 3 da FIA. Um jovem piloto brasileiro, então conhecido por Ayrton Senna da Silva, venceu no seu primeiro Grande Prémio de Fórmula 3. Em 1990, deu-se um dos finais mais emocionantes e dramáticos da prova. Na última volta, houve um choque entre o favorito à vitória, Mika Hakkinen, e o comandante da 2ª manga, Michael Schumacher. Em 1992, todos os recordes das voltas mais rápidas das principais corridas foram batidos. No ano seguinte, a prova mudou-se para as suas novas instalações, construídas propositadamente na zona do novo terminal marítimo.  

Prego a fundo até 2003, o Festival do Jubileu do Grande Prémio de Macau é, ainda hoje, considerado como uma das maiores celebrações na história da cidade, que deu vida a Macau dia e noite durante todo o mês de novembro. As comemorações incluíram o Festival Internacional de Fogo de Artifício, que iluminou o céu com milhares de luzes, o Festival de Gastronomia e Macau Fringe 2003. A juntar a tudo isto, máquinas de corrida do passado e presente estiveram expostas por toda a cidade, com os pilotos do Grande Prémio a surgirem em locais públicos e a terem encontros com a população. 

O Festival catapultou a prova e deu-lhe outro patamar. Alguns meses antes da realização do 51º Grande Prémio de Macau, foi anunciado que o prestigiado evento iria receber uma segunda corrida da FIA. Em 2005, Macau recebia a etapa final do Campeonato Mundial de Carros de Turismo da FIA (FIA WTCC), recentemente criado, o qual, a juntar ao Grande Prémio de Fórmula 3 – Taça Intercontinental da FIA, significava que a nata do desporto motorizado mundial iria correr lado-a-lado no mesmo programa que as futuras estrelas da Fórmula 1 num grande final de época, e tudo isto em Macau. 

Em 2009, Macau celebrou o 10º aniversário da Região Administrativa Especial de Macau da China e o Grande Prémio teve o seu papel nas comemorações espalhadas por toda a cidade, com a sua assinatura de elevado nível de emoção. O 58º Grande Prémio ficará na memória de todos, por muitas décadas, como uma edição fenomenal, mesmo segundo os mais elevados padrões internacionais do desporto motorizado, bem como a edição mais aclamada do que nunca, com muitos dos recordes a serem batidos, atraindo ainda mais a atenção do mundo. 

A 65ª edição, em 2018, teve um programa variado e completo. As grandes festividades do Grande Prémio fizeram troar a grelha de partida, numa festividade para toda a família, seguindo-se a tradicional cerimónia de abertura e a exposição dos carros de GT e de motos. No domingo antes das corridas, assistiu-se a uma competição divertida “fun run”, que obrigou cerca de 2.000 residentes a acordar muito antes do amanhecer para palmilharem os 6,2 km do icónico Circuito da Guia. 

Com o estatuto oficial de Taça do Mundo da FIA, o Grande Prémio de Macau de Fórmula 3 e a Taça GT Macau, o ano de 2018 marcou a estreia de novos carros da FIA WTCR na Corrida da Guia, uma prova do campeonato, e o Grande Prémio de Motos de Macau completou a atraente formação de corridas principais. Como suporte, teve ainda a Taça de Macau de Carros de Turismo e outra estreia, a Taça Lótus – Corrida da Grande Baía. 

Agora, pelo segundo ano consecutivo, a competição é marcada pela pandemia de Covid-19, que forçou algumas adaptações ao programa – como a aposta nos talentos locais e regionais. Mas a tradição continua.

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