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Taiwan alerta que China poderá bloquear portos e aeroportos da ilha

Lusa

A China pode bloquear os principais portos e aeroportos de Taiwan para cortar ligações da ilha com o exterior, alertou hoje o Ministério da Defesa, quando a tensão está a aumentar entre Pequim e Taipei

Pequim está a fortalecer as suas capacidades de ataque aéreo, marítimo e terrestre contra a ilha, disse o Ministério da Defesa de Taiwan num relatório semestral hoje divulgado.

Estas capacidades de ataque incluem, nomeadamente, a possibilidade de “bloquear portos, aeroportos, as ligações aéreas que saem [da ilha], além de cortar os canais de comunicação aéreo e marítimo”, de acordo com o documento.

O relatório também alertou para a capacidade da China de atacar a ilha com o seu arsenal de mísseis, incluindo mísseis balísticos e de cruzeiro, assinalando ainda que Pequim está a fortalecer a sua capacidade de lançar ataques anfíbios.

Taiwan e os seus 23 milhões de habitantes vivem sob a ameaça de uma invasão da China, que considera a ilha como parte do seu território e jurou retomá-la um dia, se necessário, à força.

Pequim aumentou a sua pressão sobre a ilha desde que a Presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, assumiu o poder em 2016. Tsai considera que a ilha é soberana e não faz parte da China.

“As frequentes manobras na ‘zona cinzenta’ visam tomar Taiwan sem combates”, de acordo com o relatório do Ministério da Defesa.

“Zona cinzenta” é um termo usado por especialistas militares para descrever ações agressivas patrocinadas por um Estado, que param antes de uma guerra aberta, e que incluem intensivos ataques informáticos e campanhas de desinformação.

Em outubro, o Ministério da Defesa de Taiwan afirmou que as tensões militares com a China atingiram o seu ponto mais alto em quatro décadas, após um número recorde de incursões de aeronaves na área de identificação de defesa aérea (Adiz) da ilha, um perímetro que começa a 200 quilómetros da costa taiwanesa.

Essas incursões da aviação chinesa nesta área multiplicaram-se nos últimos dois anos, sugerindo a intenção de Pequim de realizar demonstrações de força em momentos importantes.

A ilha foi, no final da guerra civil chinesa, em 1949, o refúgio dos nacionalistas do Kuomintang, liderados por Tchang Kai-chek e vencidos pelos comunistas de Mao Tse-tung.

Pequim intensificou as ações nos últimos anos para isolar Taiwan na cena internacional e eliminar qualquer tentativa de reconhecimento como Estado independente da China.

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