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Talibã adota Constituição do tempo do rei

Até escrever uma nova carta

Em mais um sinal contraditório acerca de suas intenções, o Talibã afirmou que irá adotar temporariamente a Constituição de 1964, do tempo em que o país era uma monarquia e considerada um texto liberal para os padrões locais.

Por outro lado, afirmou nesta terça (28) à agência Aamaj News o ministro interino da Justiça, Abdul Hakim Sharae, a Carta será adaptada à interpretação que o grupo fundamentalista faz do Islã —o que deixa óbvias dúvidas se instrumentos como o voto feminino e o reduzido poder do clero muçulmano ficarão de pé.

O novo texto, até a confecção de um definitivo, deve remeter à lei islâmica, cuja leitura aberrante feita pelo Talibã tornou famoso seu governo de 1996 a 2001 pela brutalidade.

O documento de 1964 foi aprovado em uma loya jirga, ou grande assembleia de anciãos tribais, no reinado de Mohammed Sahir Shah (1933-1973). A Carta limitava o poder de religiosos e indicava que não havia rituais ou normas islâmicas obrigatórias a serem seguidas. O Parlamento ganhava autonomia.

Quando governou a maior parte do país, ao emergir vitorioso de uma guerra civil, o Talibã basicamente aplicou uma versão medieval das leis religiosas, removendo mulheres do espaço público.

O grupo acabou derrubado pela invasão americana de 2001, por ter apoiado a Al Qaeda, que havia perpetrado os atentados do 11 de Setembro nos EUA.

A presença ocidental acabou neste ano. A retirada gradual das últimas tropas a partir de abril levou o Talibã a montar uma ofensiva devastadora, que em duas semanas derrubou o governo apoiado pelos EUA de Ashraf Ghani.

Em 15 de agosto, o grupo retomou Cabul, acelerando a retirada de ocidentais e afegãos aliados a eles, em um festival de imagens chocantes em torno do aeroporto da capital —e o mais mortífero atentado já realizado na cidade, atribuído ao rival Estado Islâmico.

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