Marcas do governo Bolsonaro: Escândalos, coronavírus e desmatamento

Marcas do governo Bolsonaro: Escândalos, coronavírus e desmatamento

As marcas do governo de Bolsonaro, desde que assumiu o poder em 2019 como o primeiro presidente de extrema direita do Brasil, são múltiplas: crises políticas, recorde do desmatamento na Amazónia e, ainda, negacionismo em relação aos riscos do coronavírus no segundo país mais enlutado pela pandemia no mundo

Primeiro presidente de ultradireita

Em 28 de outubro de 2018, o Brasil elegeu um presidente de extrema direita pela primeira vez, mais de 30 anos após o fim da ditadura, período pelo qual Bolsonaro, batizado por alguns de Donald “Trump dos Trópicos”, não esconde sua admiração.

“Restabelecer a ordem”

Assim que assumiu o cargo em 1º de janeiro de 2019, ele prometeu “restabelecer a ordem” em uma cruzada contra o crime, a corrupção e a “ideologia de esquerda”. 

O ex-capitão do Exército, favorável à legítima defesa contra o crime em um dos países mais violentos do mundo, assinou mais de 30 projetos destinados a facilitar a aquisição e porte de armas, mas muitos foram bloqueados pelos tribunais ou o Congresso.

Presidente no hospital

Vítima de uma facada no abdômen durante a campanha eleitoral, o presidente foi internado no início de 2019 para uma nova cirurgia abdominal. 

De seu leito de hospital, governou o país por duas semanas.

Negação da covid

As marcas do governo de Bolsonaro também são visíveis quando minimizou a pandemia do coronavírus, chamando-a em março de 2020 de apenas uma “gripezinha”. 

Ele critica o uso de máscara, rejeita qualquer tipo de confinamento nacional, pede aos brasileiros que “parem de choramingar” e condena as medidas tomadas pelas autoridades locais, apesar das mais de 584.000 mortes no país. 

Em julho de 2020, ele contraiu uma forma leve de covid-19. 

Quatro ministros ocuparam a pasta da Saúde (duas demissões, uma renúncia).

Vários escândalos surgiram em torno da compra de vacinas. Desde abril de 2021, uma Comissão de Investigação do Senado analisa a gestão governamental da pandemia, que motivou vários protestos contra Bolsonaro nos últimos meses.

Amazónia em chamas

As marcas governo de Bolsonaro na gestão da parte brasileira da Amazónia são imensas. A floresta amazónica perdeu cerca de 10.000 km2 de área por ano. O equivalente à área do Líbano, contra 6.500 km2 por ano na década anterior. 

Em 2019, o forte aumento no número de queimadas gerou grande preocupação internacional, devido ao papel essencial dessa biodiversidade na preservação do clima do planeta. 

O presidente promove projetos de lei que podem abrir áreas protegidas para mineração e agricultura. 

Em janeiro de 2021, o cacique emblemático e defensor ambiental Raoni Matuktire pediu ao Tribunal Penal Internacional (TPI) para investigar Bolsonaro por “crimes contra a humanidade”, acusando-o de “perseguir” povos indígenas destruindo seu habitat e violando seus direitos fundamentais.

Reformas económicas

Em 2019, como parte de um plano de austeridade, Bolsonaro reformou o sistema previdenciário em sua idade mínima para aposentadoria e maior período de contribuição. 

Brasília realizou leilões de concessões de cerca de vinte aeroportos, terminais portuários e da companhia de águas do Rio de Janeiro. 

O Congresso votou em junho pela privatização da Eletrobras. 

Apesar do atraso devido à pandemia, o governo espera realizar uma centena de privatizações, num total de 445,6 bilhões de reais.

O ex-juiz Moro sai de cena

Em abril de 2020, o ministro da Justiça, o ex-juiz Sergio Moro, que condenou o ex-presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) à prisão, renunciou abruptamente, acusando Bolsonaro de tentar interferir politicamente na Polícia Federal. 

Em março-abril de 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as sentenças proferidas contra Lula, abrindo seu caminho para as eleições presidenciais de 2022, nas quais ele aparece como favorito em um eventual duelo contra Bolsonaro, segundo pesquisas.

Ataque ao sistema eleitoral

Em agosto de 2021, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu investigar o presidente por seus constantes e infundados ataques à legitimidade do sistema de votação eletrônica, instituído em 1996. 

O STF também ordenou a abertura de investigações contra ele e seu entorno por divulgação de informações falsas, entre outras acusações. 

Em 7 de setembro, Bolsonaro convocou manifestações em massa nas principais cidades brasileiras e disse a uma multidão de apoiadores que “só Deus” poderia removê-lo do poder, intensificando os ataques às instituições e ao sistema eleitoral. 

A maioria dos analistas acredita que os riscos de um processo contra o presidente continuam baixos, graças ao seu apoio no Congresso. No entanto, alguns acreditam que ele pode se tornar inelegível para mandatos futuros.

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