EUA podem sancionar China por trabalho forçado em tecnologia ambiental

EUA podem sancionar China por trabalho forçado em tecnologia ambiental

O governo dos EUA está a considerar a aplicação de sanções à China devido ao alegado uso de trabalho forçado na produção de painéis solares e outra tecnologia amiga do ambiente

A informação foi avançada na tarde de quarta-feira em Washington (noite em Lisboa) por John Kerry, o coordenador da resposta dos EUA à rutura climática e, enquanto tal, membro do Conselho de Segurança Nacional, durante uma audição na comissão dos Negócios Estrangeiros da Câmara dos Representantes.

Os comentários de Kerry durante a audição procuraram anular um dos principais argumentos avançados pelos republicanos contra o plano do presidente Joe Biden de reestruturar a economia dos EUA respeitando o ambiente.

Com efeito, os republicanos têm dito que o domínio industrial da China, na produção de painéis solares, baterias e outra tecnologia ambiental, arrisca envolver os compradores nos abusos de direitos humanos praticados neste país.

Muito do polissilício do mundo, usado nas células fotovoltaicas dos painéis solares, vem da província chinesa do Xinjiang, onde a China está a promover uma campanha sustentada contra os muçulmanos chineses e minorias étnicas, designadamente os uigures.

Esta campanha inclui a detenção de mais de um milhão de pessoas, que grupos de defesa de direitos humanos, meios de comunicação e governos asseguram que são obrigadas a trabalhar em fábricas e outros locais.

Em abril, o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês classificou estas informações como “mentiras e informação falsa inventadas por forças antichinesas”.

Estas preocupações com os direitos humanos, relacionadas com a produção na China de componentes de produtos para a energia renovável, e o estatuto da China enquanto maior emissor mundial de gases com efeito de estufa têm servido para os republicanos criticarem os planos dos democratas de estimularem a produção nos EUA de energia solar e eólica e reduzir o uso de petróleo e carvão.

“Como é que nos pode garantir que o trabalho escravo que sai da China, onde está a ocorrer um genocídio enquanto falamos, nunca será parte da solução climática nos EUA?”, perguntou Michael McCaul, o principal republicano na comissão.

Kerry respondeu-lhe que estava “absolutamente correto” ao levantar a questão e que a situação “é um problema”.

“Acreditamos que há painéis solares que são produzidos com recurso a trabalho forçado”, disse Kerry. Listou também minerais de terras raras produzidos pela China e usados, entre outros, em turbinas para a energia eólica.

Kerry adiantou que o governo estava a avaliar a inclusão destes produtos na lista dos provenientes de Xinjiang que os EUA já estão a penalizar, mas disse desconhecer em que ponto estava a avaliação.

Biden pretende avançar com um plano de investimento de biliões de dólares para reestruturar a economia dos EUA, que, entre outros objetivos, inclui a modernização dos setores de energia e transportes para reduzirem a poluição dos combustíveis fósseis.

Isto inclui promover o uso nos EUA de fontes de energia, como a eólica, a solar e outras renováveis – e aumentar a produção no país de componentes vitais para estas indústrias.

“A melhor coisa que se pode fazer é ser mais competitivo” no que respeita ao domínio chinês no campo da tecnologia amiga do ambiente, disse Kerry. “Outros países já o fizeram – porque não nós?”, questionou.

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