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Críticas à gestão mundial da pandemia, que já causou mais de 250.000 mortes na Índia

AFP

Especialistas encarregados pela OMS recomendaram nesta quarta-feira (12) uma vasta reforma dos sistemas de alerta e prevenção de futuras pandemias, depois de concluírem que a crise da covid-19 poderia ter sido evitada, enquanto o vírus continua castigando a Índia e permanece “longe” do controle nas Américas

Um relatório do painel independente considerou que a Organização Mundial da Saúde demorou muito para dar o alarme da catástrofe descrita como “Chernobyl do século XXI”, que já matou 3,3 milhões de pessoas no planeta e devastou as economias.

“Está claro que a combinação de más decisões estratégicas, falta de vontade de enfrentar as desigualdades e um sistema mal coordenado criou um coquetel tóxico que permitiu que a pandemia evoluísse para uma catastrófica crise humana”, observou o relatório. 

Segundo os especialistas, transcorreu “muito tempo” entre a notificação de um surto epidêmico na China, na segunda quinzena de dezembro de 2019, e a declaração, em 30 de janeiro, pela OMS, de uma emergência de saúde pública de âmbito internacional, o mais alto nível de alarme.

“Propomos que a OMS possa publicar em tempo real todas as informações de que dispõe sem a autorização dos governos. É também necessário que os 194 países-membros da ONU” lhe permitam “realizar uma investigação” onde houver um foco infeccioso, explicou Michel Kazatchkine, membro do painel independente.

O relatório conclama os países desenvolvidos, atualmente bem avançados na vacinação, a fornecer 1 bilhão de doses até setembro e outro 1 bilhão até meados de 2022 para os 92 países de rendas baixa e média que se beneficiam do sistema de distribuição Covax.

Ainda sem controle

Vários deles estão nas Américas, onde a pandemia continua “longe” de estar sob controle, apesar da redução de casos nos Estados Unidos e no Brasil, os países com mais vítimas fatais do vírus, advertiu nesta quarta-feira a Organização Pan-americana da Saúde (Opas).

“Quase 40% de todas as mortes globais (por covid) reportadas na semana passada ocorreram aqui nas Américas”, disse em coletiva de imprensa a diretora da Opas, Carissa Etienne, que fez alusão a uma aceleração dos contágios em grande parte do continente e uma ocupação de leitos em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) de quase 80%.

Na América do Sul, duramente atingida pelo vírus recentemente, destacou um aumento de casos na Guiana e na Bolívia, países fronteiriços com o Brasil, assim como na Colômbia, sacudida estes dias por maciças manifestações antigovernamentais.

O avanço das campanhas de vacinação permite vislumbrar, no entanto, um pouco de luz e nesta quarta a Opas informou que a Venezuela poderia receber em junho imunizantes da Johnson & Johnson através do mecanismo global Covax, após ter realizado novos pagamentos.

Cuba, por sua vez, iniciou a campanha de imunização para as populações de risco com duas de suas candidatas a vacinas produzidas na ilha.

“A picadinha por enquanto me deu uma pequena ardência”, mas “me sinto ótima”, contou à AFP Cecilia Reyes, uma dona de casa de 69 anos, após receber a primeira dose em Havana.

Chamando os turistas

Na Europa o otimismo é ainda maior. Lá, os avanços nas campanhas de vacinação empurraram a Comissão Europeia a revisar significativamente para cima suas previsões de crescimento econômico na eurozona: 4,3% do PIB em 2021 – contra uma expectativa de 3,8% – e 4,4% em 2022 – frente a 3,8% projetado em fevereiro.

Para isso, o turismo é fundamental. A Espanha espera atrair em 2021 cerca de 45 milhões de turistas estrangeiros e está se lançando especialmente para recuperar os britânicos, seu primeiro mercado.

“A Espanha está preparada para reabrir em breve para todo o mundo”, disse o ministro do Turismo, Reyes Maroto.

O público espanhol poderá retornar aos estádios de futebol a partir deste fim de semana para os jogos do Campeonato Espanhol sob certas condições, informou o governo espanhol nesta quarta-feira. Os jogos Valência-Eibar e Villareal-Sevilla serão então disputados com o público.

Por sua vez, a Alemanha flexibilizou nesta quarta-feira as regras de quarentena para viajantes de alguns países classificados como “de risco”, o que permitirá passar férias em lugares como Espanha, Itália ou Grécia, uma boa notícia às vésperas das férias de verão (boreal).

A Comissão Europeia pediu nesta quarta-feira aos Estados-membros da UE que coordenem as viagens para a Índia, onde o vírus causa estragos devido à variante local B.1.617, que se espalhou para pelo menos 44 outras nações, de acordo com a OMS.

Cadáveres no Ganges

O gigante asiático de 1,3 bilhão de habitantes reportou mais 4.205 mortes em 24 horas, elevando o número total de mortos para 254.197, de acordo com o balanço oficial. 

Mas muitos especialistas estimam que a realidade é muito pior. “Mesmo um número três ou quatro vezes maior seria uma subestimação”, comentou à AFP Anant Bhan, pesquisador em políticas de saúde e bioética.

Na Índia, país com um dos piores sistemas de saúde do mundo, seus hospitais lotados são incapazes de tratar todos os pacientes e os crematórios não conseguem lidar com o volume de cadáveres. 

Cadáveres também têm sido vistos flutuando no rio sagrado Ganges, aumentando a preocupação com o interior da Índia rural, onde vivem dois terços da população.

Para conter a pandemia, vários países pediram vacinas aos Estados Unidos, a nação com mais mortes por covid – com mais de meio milhão de óbitos – e que, desde que Joe Biden chegou ao poder em janeiro, acelerou a vacinação.

A estação Grand Central, de Nova York, começou a servir nesta quarta-feira como um grande centro de vacinação onde se viam tanto estrangeiros recém-chegados do aeroporto quanto nova-iorquinos buscando se imunizar aproveitando este programa piloto que pretende chegar ao maior número de pessoas possível.

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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