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Nova Zelândia reconhece que divergências com a China são “mais difíceis” de conciliar

Lusa

A primeira-ministra da Nova Zelândia reconheceu hoje as divergências existentes com a China em matéria de direitos humanos, numa altura em que o Governo é criticado por não se mostrar firme com Pequim nesta questão.

Num discurso pronunciado em Auckland, por ocasião de uma cimeira económica com a China, Jacinda Ardern, afirmou que o Governo já comunicou a Pequim “profunda preocupação” em relação às alegações sobre a erosão das liberdades democráticas na região especial chinesa de Hong Kong ou sobre trabalhos forçados e genocídio da minoria muçulmana uigure na província de Xinjiang.

No entanto, a dirigente de centro-esquerda lembrou que a Nova Zelândia é independente em matéria de política externa e portanto livre de escolher se estas questões devem ser abordadas publicamente, ou no âmbito de encontros privados com dirigentes chineses.

Ardern também admitiu que em certas questões a China e a Nova Zelândia nunca estarão de acordo.

“Não terá escapado a ninguém aqui que à medida que o papel da China no mundo cresce e evolui, as diferenças entre os nossos sistemas (…) tornam-se mais difíceis de conciliar”, salientou.

Este é “um desafio” que a Nova Zelândia, e “muitos outros países da região Indo-Pacífico, mas também da Europa e de outras regiões” têm que enfrentar, considerou a política.

“Devemos reconhecer que existem certas coisas sobre as quais a China e a Nova Zelândia não estão, não podem estar e não estarão de acordo”, declarou a política.

“Isso não deve alterar as nossas relações. É simplesmente uma realidade”, sublinhou.

Recentemente, a ministra dos Negócios Estrangeiros neozelandesa, Nanaia Mahuta, afirmou que Wellington não ia deixar a aliança de serviços secretos “Five Eyes” (Austrália, Canadá, Estados Unidos, Nova Zelândia e Reino Unido) ditar a política a seguir com o principal parceiro comercial do arquipélago.

Alguns meses antes, o ministro do Comércio neozelandês, Damien O’Connor, tinha pedido à Austrália para respeitar Pequim, na sequência da assinatura de um acordo de livre comércio reforçado entre o arquipélago e a China.

As tensões entre Camberra e Pequim têm vindo a aumentar desde 2018 devido a divergências sobre um número crescente de temas, da tecnologia 5G às acusações de espionagem, Hong Kong, ou ainda as origens do novo coronavírus.

Também presente da cimeira empresarial, o embaixador da China na Nova Zelândia, Wu Xi, reconheceu a relação bilateral de longa data com a Nova Zelândia, mas advertiu contra “a interferência” nos “assuntos internos” chineses, especificamente em relação a Hong Kong e a Xinjiang, de acordo com a Rádio New Zealand.

Wu Xi alertou ainda para “o envenenamento” da cooperação internacional e divisão do mundo.

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