Exercícios militares navais chineses junto a águas de Taiwan serão “regulares”

Exercícios militares navais chineses junto a águas de Taiwan serão “regulares”

A Marinha da China disse hoje que exercícios militares navais como os que está a realizar próximo das águas de Taiwan, envolvendo um porta-aviões, serão “regulares no futuro”

Em comunicado, a Marinha chinesa afirmou que a frota, liderada pelo porta-aviões Liaoning, realiza exercícios de “rotina” para “aumentar a sua capacidade de salvaguardar a soberania nacional, segurança e interesses de desenvolvimento”. 

“Exercícios semelhantes serão realizados regularmente no futuro”, acrescentou, sem dar mais detalhes, a Marinha da China, país que reclama soberania sobre Taiwan, território governado autonomamente há mais de 70 anos.

O Ministério da Defesa do Japão disse no domingo que o porta-aviões Liaoning, acompanhado por cinco navios de escolta, cruzou o Estreito de Miyako a caminho do Pacífico.

De acordo com o diário oficial chinês Global Times, da frota faz parte o Nanchang, contra-torpedeiro da nova série Tipo 055, cuja combinação com porta-aviões será “uma configuração-padrão dos grupos de missão de porta-aviões chineses no futuro”.

Em dezembro de 2019, pouco antes das eleições presidenciais e parlamentares em Taiwan, o Shandong, navio irmão do Liaoning, navegou pelo estreito de Taiwan, um movimento condenado pelas autoridades taiwanesas como tentativa de intimidação.

No passado dia 27 de março, um número recorde de 20 aviões de combate chineses rondou o espaço aéreo de Taiwan, depois de assinado em Washington um acordo de cooperação marítima entre os Governos norte-americano e taiwanês. 

Taiwan e Estados Unidos assinaram este mês um memorando de entendimento para criação de um Grupo de Trabalho da Guarda Costeira, na sequência da recente aprovação pela China de uma Lei da Guarda Costeira que autoriza o uso de força contra navios estrangeiros em águas em que é reclamada a soberania chinesa, como é o caso de Taiwan.

Numa inversão na tradicional política de primazia à capacidade de defesa de Taiwan face a uma possível invasão da China – que reclama a soberania do território e nunca excluiu o uso de força militar para “reunificar” a ilha – a presidente taiwanesa Tsai Ing-wen estabeleceu como prioridade o desenvolvimento de capacidade dissuasora “assimétrica”. 

Recentemente, os Estados Unidos autorizaram a exportação para Taiwan de componentes para o fabrico local de submarinos, como sistemas de sonar digital, periscópios e sistemas de combate integrado. 

Taiwan começou no ano passado a construção de submarinos, prevendo-se que o primeiro seja concluído até 2024 e que uma frota esteja disponível em 2025.

Já este mês, a Força Aérea de Taiwan anunciou que vai comprar mísseis terra-ar Patriot de última geração, fabricados pela norte-americana Lockheed Martin, para se reforçar perante um possível ataque da China.

Segundo a Força Aérea taiwanesa, serão adquiridos mísseis do modelo Patriot Advanced Capability 3 (PAC-3) Missile Segment Enhancement (MSE), que começarão a ser entregues em 2025, estando disponíveis no ano seguinte. 

Fonte oficial da Força Aérea taiwanesa afirmou, citado pela imprensa local, que a decisão de comprar os novos mísseis se baseou “na ameaça do inimigo”.

Num debate no Parlamento taiwanês, o ministro da Defesa Chiu Kuo-cheng afirmou no mês passado que o desenvolvimento de capacidade balística de longo alcance se mantém uma prioridade e que o desenvolvimento, a cargo do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Chung-Shan, “nunca parou”.

Leng Chin-hsu, diretor-adjunto do Instituto, revelou que um míssil terrestre de longo alcance está em produção e outros três em desenvolvimento. 

Taiwan realizou recentemente lançamentos-teste de mísseis, noticiados pela imprensa local, em relação aos quais não eram conhecidos mais pormenores.

O desenvolvimento de mísseis de longo alcance dá a Taiwan a capacidade de atingir alvos no interior da China.

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