Macau lamenta "declarações falsas" após sair de 'ranking' de economias mais livres - Plataforma Media

Macau lamenta “declarações falsas” após sair de ‘ranking’ de economias mais livres

Macau lamentou hoje o uso de “declarações falsas que ignoram os factos” por qualquer instituição, após a Fundação Heritage, sediada nos Estados Unidos, ter excluído o território do ‘ranking’ de 2021 das economias mais livres do mundo.

O Governo da região administrativa especial chinesa começou por salientar que, desde 2009, a Fundação Heritage “tem vindo a incluir, por iniciativa própria, Macau no ‘Índice mundial da liberdade económica’, mas que “não faz qualquer comentário sobre o ato da respetiva instituição”.

Num comunicado de dois parágrafos, as autoridades acrescentam, contudo, que, “de acordo com a Lei Básica, o Governo da RAEM [Região Administrativa Especial de Macau] prossegue os princípios de ‘Um país, dois sistemas’ e um alto grau de autonomia, sendo que a sua economia tem vindo a ser desenvolvida de forma constante sob o suporte do Governo Central”.

“Manifestamos a nossa forte oposição sobre a divulgação, por alguma instituição, de declarações falsas que ignoram os factos”, pode ler-se na mesma nota divulgada pelo gabinete do Secretário para a Economia e Finanças.

Macau deixou de figurar no ‘ranking’ de 2021 das economias mais livres do mundo, publicado na quinta-feira pela Fundação Heritage, porque, segundo a organização, as políticas do território passaram a ser “controladas, em última análise, a partir de Pequim”.

Hong Kong, que liderou a classificação durante 25 anos, também não figura no ‘ranking’.

“Hong Kong e Macau já não estão (…) incluídos no Índice”, lê-se no capítulo 1 do índice das economias livres do mundo.

“Os desenvolvimentos dos últimos anos demonstraram inequivocamente que essas políticas são controladas, em última análise, a partir de Pequim”, frisou a fundação, detalhando que os índices dos dois territórios passaram a ser indexados à China.

Ainda assim, a fundação norte-americana reconhece que “tanto Hong Kong como Macau, como Regiões Administrativas Especiais, gozam das políticas económicas que, em muitos aspetos, oferecerem aos seus cidadãos mais liberdade económica do que está disponível para o cidadão médio da China”.

Em 2020, Macau situava-se no 35.º posto do ‘ranking’.

A Heritage Foundation é um dos principais grupos de reflexão que influenciam os conservadores norte-americanos em matéria financeira.

A classificação é estabelecida em função da avaliação do grau com que as leis e regulamentos dos vários países favorecem as empresas.

A transferência da administração de Macau ocorreu no final de 1999, pouco mais de dois anos depois de a China ter recuperado a soberania sobre a antiga colónia britânica de Hong Kong.

Em ambos os casos, Pequim aplicou o princípio ‘Um País, Dois Sistemas’, que permitiu a Hong Kong e Macau manterem o sistema capitalista e o seu modo de vida, incluindo direitos e liberdades de que gozavam as respetivas populações.

As duas regiões têm autonomia em todas as áreas, exceto na diplomacia e na defesa.

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